Sábado, 5 de abril de 2025

Do campo à mesa do consumidor: produção sustentável de frutas vermelhas em Campo Alegre

A produção local impulsiona turismo e gastronomia na região

• Atualizado 1 dias atrás.

Engana-se quem pensa que Campo Alegre é apenas a cidade das ovelhas. Atualmente, o plantio de frutas vermelhas está ganhando destaque. Nessa época do ano, além de atrair atenção, a atividade traz a florada, a colheita e um aroma doce ao município.

Na propriedade de Marcio Habech, a Bio Cult, há frutinhas vermelhas, roxas e flores brancas por todos os lados. Nos próximos dias, mirtilos, amoras, physalis, morangos e framboesas estarão em abundância, já que, de novembro a fevereiro, é a época dessas frutas. Para os amantes de frutas vermelhas, a notícia não poderia ser melhor.

O proprietário explica que, com um inverno bem definido, a fruticultura está em ótimas condições. “Percebemos que este ano será uma safra recorde”, diz ele, acrescentando que a amora e o mirtilo já estão se destacando e a colheita está adiantada. A relação do inverno com as frutas ocorre porque, em geral, amora, mirtilo e framboesa entram em dormência nessa estação. Esse processo permite que a planta acumule energia para a próxima safra. “Como este ano o inverno foi bom, com muitas horas de frio, isso ajudou nesse processo, dando às plantas melhores condições de produção na primavera e no verão”, explica o engenheiro-agrônomo Rogerio Pietrzack.

O fruticultor também destaca que a combinação de chuva e sol bem definidos tem contribuído muito. “Em dias nublados, há menos maturação das frutas. Já em dias de sol, é possível colher no dia seguinte, porque as frutas amadurecem rapidamente. A resposta é muito rápida”, comenta Marcio. Essa rapidez é benéfica tanto para o produtor quanto para o consumidor. Habech enxerga grande potencial na produção de frutas vermelhas em Campo Alegre.

Pensando nisso, ele e a família têm o objetivo de encurtar o caminho entre o pomar e a mesa do consumidor, oferecendo um produto de qualidade, sem o uso de defensivos agrícolas. “Nosso ponto de colheita é diferente. O morango que vem do Ceasa precisa ser colhido três, quatro ou cinco dias antes de estar maduro, para aguentar o transporte. O nosso é colhido no mesmo dia em que o consumidor vai consumi-lo”, afirma.

Por serem frutas delicadas, há todo um cuidado no momento da colheita. Por exemplo, ao colher morangos, é necessário pegar no ramo e torcer, “como quebrar o pescoço”, explica Marcio. Já o mirtilo precisa ser colhido bolinha por bolinha, selecionando as mais escuras. “Não é como o café, que você puxa para baixo”, brinca o fruticultor, demonstrando o processo.

A Bio Cult
A vida agitada da cidade e a rotina industrializada fizeram parte da história de Marcio e Nicole Habech por cerca de 20 anos. Em 2019, eles decidiram realizar um sonho e buscar um novo objetivo de vida. Foi nesse ano que a primeira semente, literalmente, foi plantada. O casal começou com mudas de amora em um pequeno espaço, que aos poucos se desenvolveram, produzindo uma quantidade significativa de frutos.

Outros pomares foram sendo cultivados por Marcio, com cada detalhe planejado cuidadosamente para garantir a qualidade da colheita. Inicialmente, além da amora, também era plantado physalis, a frutinha amarela comumente usada em doces de festa. “Chegamos a ser o terceiro maior produtor de physalis no Brasil, sem o uso de defensivos”, orgulha-se Marcio. Contudo, a cultura demandava muita mão de obra, e ele ainda trabalhava fora. Isso os levou a redirecionar os esforços para outras atividades, incluindo a hospedagem.

A Bio Cult hoje trabalha com frutas in natura, geleias, outros doces e também oferece hospedagem. A família reconheceu a importância do contato com a natureza e abriu espaço para que outras pessoas também tivessem essa experiência. Durante a pandemia, a demanda por hospedagem foi alta. “Já recebemos visitantes dos Estados Unidos, de Israel, e temos um grupo da Alemanha agora”, conta Marcio.

Além disso, a decisão de trabalhar sem defensivos foi motivada pela gravidez de Nicole, quando a nutricionista recomendou evitar o consumo de tomate, morango e pimentão, devido ao alto índice de defensivos absorvidos por essas frutas. Isso reforçou a ideia de cultivar alimentos mais saudáveis. Desde então, até mesmo o substrato usado no plantio é livre de adubos químicos. Hoje, o pai de Marcio, seu Alfredo Habech, é quem cuida com carinho da produção de morangos, escolhendo as frutas mais doces. O trabalho, no entanto, vai passando de geração em geração, com o filho do casal, Noah, acompanhando de perto e já prometendo dar continuidade quando o pai precisar descansar.

Assista a reportagem em vídeo:


  • YouTube: Inscreva-se para assistir as matérias de A Gazeta.

Confira mais notícias no jornal impresso. Assine A Gazeta agora mesmo pelo WhatsApp (47) 99727-0414. Custa menos que um cafezinho por dia! ☕

Últimas notícias

corpo-27498
visita-tecnica-havan-2-27563
tumulto-na-camara-27492
forum-da-comarca-27578
magda-elizabeth-27501

Mais lidas

verdetec (2)
Ceppli
Câmara de São Bento do Sul
Acontece SC 1
WhatsApp-Image-2025-04-04-at-12.24

Notícias relacionadas