É quase na divisa de Campo Alegre com São Bento que a história de Rivelino Zoellner com as uvas começou. Hoje, ele tem aproximadamente duas mil plantas da fruta da época, mas nem sempre foi assim. Ele iniciou cedo no ramo, e muito do que sabe aprendeu com o avô. O passatempo virou um negócio que, além de trazer memórias afetivas, também traz lucro.
Por mais que, quando jovem, já estivesse auxiliando o avô nas parreiras, foi em 2002 que começou a se dedicar mais à fruta. Com o passar dos anos, foi evoluindo nas técnicas e nos cuidados. Atualmente, quem passa pelo terreno de plantação se depara com muitos cachos bordôs, roxos e verdes. É um verdadeiro paraíso para os amantes de uva.
Inclusive para Rivelino, que não pretende largar o hobby por nada, mesmo que não seja seu emprego principal, já que divide o tempo entre trabalhar fora e cuidar das uvas. Aliás, por lá, a família toda coloca a mão na massa ou, nesse caso, na uva. Ele e os irmãos têm sociedade nos negócios. É um trabalho e uma paixão que passam de geração para geração. “Essa é a minha história”, comenta.
Claro, em algumas épocas do ano, o trabalho é mais puxado. Segundo ele, o que mais dá serviço é a poda de inverno e, agora, na época da safra, a colheita. A poda de inverno é realizada no período de dormência da planta, que pode ser no fim do inverno ou início da primavera. É um processo importante para preparar a planta para a frutificação. “É tirado um monte de galho, e esse serviço é chato de fazer”, comenta o produtor. “Também tiramos o excesso de folhas para o cacho ventilar e amadurecer melhor”, explica.
Fora isso, o trabalho se concentra na limpeza e na roçada do espaço. Este ano, a colheita da uva no local começou no início de fevereiro, e a propriedade já tem procura. Rivelino ainda lembrou que, no ano passado, nessa época, quase não havia mais uvas e explicou que vários fatores influenciam, como a poda de inverno, o clima e os períodos de chuva. “É o produtor mesmo que tem que sentir a hora de fazer a poda. Excesso de chuva não é bom para a uva. É uma das frutas que não gostam de umidade excessiva”, menciona.
Ao fim da matéria, veja mitos e verdades sobre a uva.
Cinco variedades
É nítido o brilho no olhar do produtor quando está no meio das parreiras, e, para ele, é gratificante ver que todo o cuidado do ano valeu a pena. Mas, a cada ano, ele tenta buscar o melhor, aprimorando técnicas e até experimentando novas variedades.
Hoje, ele trabalha com as uvas Isabel, Bordô, Concord, Niágara branca e Niágara verde. “Estamos experimentando uma variedade que vimos em Videira, a uva sem semente. Já temos algumas plantas lá em casa em produção. São poucas, é mais por experiência”, cita. Segundo ele, a uva Bordô funciona muito bem na região e é mais usada para suco e vinho, que também são produzidos no Sítio Parreiras de Campo Alegre.
Benefícios à saúde
“Eu lido com uva porque gosto. Quem não gosta, não adianta. Tem que fazer o que gosta”, afirma. Afinal, são mais de 20 anos tendo contato com a fruta, e ele não pensa em parar. Além de gostar do que faz, também aprecia os produtos naturais que a uva proporciona.
Aliás, essa pequena fruta é rica em nutrientes e traz diversos benefícios à saúde. De acordo com a nutricionista Liliane Grein Beuther, a uva é uma excelente fonte de vitamina C, potássio, vitamina A e compostos bioativos que possuem ação antioxidante, podendo ajudar a proteger o organismo contra o estresse oxidativo. Esse processo está relacionado ao envelhecimento celular precoce e pode levar a diversas doenças crônicas.
A uva pode ser consumida in natura, em geleias, sucos, vinhos e até na versão passa. “Estudos mostram que o consumo regular de suco de uva 100%, aquele sem aditivos, pode contribuir para a redução da pressão arterial e melhorar a função vascular”, complementa. Ela ainda cita que o resveratrol, um dos compostos bioativos presentes principalmente nas uvas roxas, está associado à saúde cardiovascular, auxiliando no fluxo sanguíneo e reduzindo o risco de doenças do coração.
Mas existem alguns mitos relacionados à fruta. Por exemplo, há quem evite comer as sementes das uvas por achar que fazem mal. Segundo Liliane, as sementes contêm antioxidantes e fibras, que são benéficos para o intestino. “Um alerta para os pets: os cachorros não podem comer sementes de uva, pois elas são tóxicas para eles”, ressalta.
Por fim, a nutricionista esclarece que a uva vai além de ser uma fruta versátil e saborosa. “Ela é rica em nutrientes e compostos antioxidantes, que podem contribuir para a saúde do coração, do cérebro e do organismo em geral. O segredo está na moderação e na inclusão da fruta em uma alimentação equilibrada.”
Mitos e verdades:
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