O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), reagiu com xingamentos durante um protesto de indígenas na Barragem de José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí, nesta quarta-feira (8). Segundo o governo do Estado, um grupo de indígenas protestou durante a vistoria às obras de reforma da estrutura. Após o episódio, a administração estadual informou que manterá o cronograma da reforma da barragem e das obras previstas na Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ.
Conforme o governo estadual, durante a vistoria os manifestantes teriam citado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário político de Jorginho Mello, e dirigido ofensas ao governador com falas de cunho ideológico. Ainda segundo a nota, alguns também teriam feito cobranças relacionadas à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que não tem relação com a administração estadual.
Após a vistoria, durante uma entrevista coletiva, uma mulher teria começado a gritar e ofender o governador. Jorginho respondeu com a expressão “Vai pra p*”. A mulher retrucou dizendo que “nós é que sofremos aqui”. Na sequência, o governador respondeu: “A senhora não quer ir a merda?”.
Após isso, outra manifestante se aproximou, identificou-se como cacique e afirmou que “a barragem está em terra indígena”. O governador respondeu: “E eu com isso?”.
Importância da barragem
A Barragem de José Boiteux é a maior estrutura de contenção de cheias do Vale do Itajaí e tem capacidade para represar 357 bilhões de litros de água. O volume é suficiente para abastecer Blumenau por aproximadamente 15 anos, considerando o consumo médio registrado pela cidade em 2025.
Em meio à previsão de um forte fenômeno El Niño entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, moradores do Vale do Itajaí têm pressa pela conclusão da reforma. Durante o último episódio do fenômeno, em 2023, a barragem atingiu pela primeira vez sua capacidade máxima e chegou a verter alguns centímetros.
Impasse se arrasta desde a construção
A Barragem de José Boiteux é alvo de impasses desde sua origem. À época da construção, o governo federal ficou responsável por implantar a estrutura dentro de uma terra indígena legalmente demarcada. Já a operação da barragem durante os períodos de chuva ficou sob responsabilidade do governo estadual.
O problema é que não foi definida quem arcaria com as perdas sofridas pelos moradores das aldeias, o que deu origem a impasses entre os dois lados.
Um acordo firmado na Justiça Federal estabeleceu uma série de medidas compensatórias para a comunidade indígena, incluindo a construção de casas, igrejas, casas paroquiais, escola, ponte e estradas. As obras começaram a sair do papel em setembro do ano passado.
Leia a nota do governo estadual na íntegra
“Nesta quarta-feira, 8 de julho, o governador Jorginho Mello acompanhou de perto a reforma da Barragem de José Boiteux, uma obra aguardada há mais de 20 anos e considerada estratégica para a segurança de milhares de moradores do Vale do Itajaí.
Durante a visita, um grupo de indígenas se aproximou do local em protesto, com cartazes e reivindicações diversas, incluindo pautas de responsabilidade federal e temas que não estão diretamente ligados ao Governo do Estado.
A atual gestão destaca que foi a primeira, depois de três décadas, a assumir efetivamente a manutenção da barragem e a avançar no cumprimento de um acordo firmado há cerca de 20 anos entre Governo Federal, Governo Estadual e comunidades indígenas. Pelo acordo judicial, estavam previstas 20 casas. No entanto, a gestão estadual decidiu ampliar essas melhorias previstas.
Fazem parte das obras acordadas a construção de 91 casas, duas igrejas e duas casas pastorais: R$ 14,6 milhões; implantação e macadamização da estrada que liga a Aldeia Bugio ao município de José Boiteux, com extensão de 7,5 quilômetros e construção de uma ponte: R$ 7 milhões; construção da escola da comunidade indígena: R$ 6,5 milhões; construção de museu, campo de futebol e sanitários: R$ 5,5 milhões; projeto da escola e do museu: R$ 217 mil. Ao todo, o Estado está aplicando cerca de R$ 34 milhões em melhorias estruturais na Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ, onde está localizada a Barragem Norte, de José Boiteux, cumprindo uma determinação judicial da década de 90 que deveria ter sido executada pelo Governo Federal, por meio da Funai, mas foi negligenciada desde então.
Mesmo diante das manifestações, o Governo afirma que vai manter o cronograma da reforma da barragem e das casas, por entender que as obras são essenciais para proteger vidas e reduzir os riscos de enchentes no Vale do Itajaí.”
As informações são do portal NSC Total.
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