“O mais importante fato que aconteceu na Schlachtfest.” É assim que Tania Eichstädt define a festa que marcou sua trajetória pessoal e cultural, e que transformou seu destino. Diretora cultural da Sociedade Ginástica e Desportiva São Bento (SGDSB) e colecionadora da Schlachtfest, ela se prepara para viver mais uma edição do evento, que chega à sua 41ª realização entre quinta-feira (4) e domingo (7), trazendo consigo lembranças de cada uma das vezes em que participou desde 1985.
Nascida em 1968, Tania cresceu cercada pelas tradições germânicas de São Bento do Sul. Na adolescência, já desfilava de traje típico confeccionado pela mãe. O primeiro vestuário era simples, mas a cada edição ganhava novos detalhes, como rendas e aventais. Essas experiências despertaram nela o desejo de guardar lembranças da festa, que hoje se transformaram em uma coleção de souvenirs. Entre os itens mais queridos está um adesivo da quarta edição, ainda colado no armário de sua casa.
A relação com a cultura local se intensificou quando ingressou, em 1989, no Grupo Folclórico Germânico Böhmerwald, ao qual pertence há 35 anos. Com o grupo, passou a viver a festa também nos bastidores, ajudando em diversas atividades, como na venda de lembranças, produção de banquinhos de madeira e organização de cafés coloniais que duraram cerca de uma década. Nessas ocasiões, eram servidos pratos típicos, como pão com linguiça, pão com pepino, bratwurst, pão com quark e sucos, sabores que, segundo ela, representam a essência da cultura gastronômica.
Foi nesse período que surgiu a chamada “Sosse Fest”, tradição criada uma semana antes da Schlachtfest, quando todos se reuniam para preparar o molho do cachorro-quente que seria vendido durante a festa. “Isso marcou muito. Todos que passaram pelo grupo folclórico participaram dessa tradição. Boa lembrança”, recorda Tania.
As memórias também incluem a dedicação às decorações. Nas primeiras reedições, ela ajudava a mãe a confeccionar flores de papel crepom para as guirlandas que enfeitavam os portais da festa. Ver o resultado pronto era motivo de orgulho.
Outro costume mantido até hoje é o registro fotográfico no encerramento. No domingo à noite, após o último show da banda, ela faz questão de tirar uma foto em frente à igreja matriz, gesto simbólico que repete a cada edição.
Com o passar dos anos, a voluntária se transformou em dirigente. Hoje, como diretora cultural da SGDSB, Tania conhece de perto os bastidores da organização. “Não é fácil, porque são muitos detalhes. Mas o esforço é para que tudo saia perfeito, o mais tradicional possível”, destaca.
Entre tantas lembranças, uma em especial mudou sua vida. Foi na Schlachtfest que conheceu o marido, um alemão recém-chegado à cidade. O encontro aconteceu justamente no dia do aniversário dela. Desde então, a festa passou a ter um significado ainda mais profundo.
Mais do que um evento cultural, a Schlachtfest representa para Tania a soma de lembranças afetivas, tradições preservadas e conquistas pessoais. Orgulhosa de ter participado de todas as edições, ela celebra agora a chegada da 41ª. “Não tem como não gostar de uma festa dessa”, conclui.
Confira o vídeo contando um pouco sobre a história:




