Quem olha para a jovem e sempre sorridente Késsia Souza Veiga, de 18 anos, não imagina que ela passou por momentos trágicos há algumas semanas. Naquele fatídico dia 24 de outubro, enquanto ia para um café de confraternização no supermercado em que trabalhava, ela foi brutalmente atacada pelo ex-namorado que, munido de um facão, acertou golpes na cabeça e no braço da vítima, resultando na amputação da mão direita. Mas isso, para ela, é passado. O foco agora é aproveitar e curtir ao máximo a segunda oportunidade que recebeu de viver.
Késsia conta que trabalhava como operadora de caixa há 45 dias no mercado e estava indo para uma confraternização naquela tarde de sexta-feira, no refeitório, que fica em uma sala no segundo piso do mercado.
Movido pela raiva e pelo término do namoro de mais de quatro anos, ocorrido dois dias antes do ataque, o agressor de 23 anos passou pelo portão, subiu dois lances de escada e entrou no refeitório onde Késsia e os colegas estavam. “A sala do refeitório é pequena e saímos correndo pela porta. Fui um pouco barrada quando saí, desci a primeira remessa de escadas e na segunda percebi que fui atacada porque vi meu cabelo caindo no chão. Eu caí e fui arrastando até a calçada. Quando cheguei na calçada ele conseguiu me pegar. Não consegui orar nem fazer nada, pensei que já era mesmo, que ela ia me matar”, lembra.
A jovem conta que tudo foi tão rápido e pensou que estava apanhando, e não sendo atacada com um facão. “Quando ele estava me atacando, Deus foi tão bom que não senti que estava sendo atacada com um facão, senti que ele só estava me batendo. Depois que ele me largou eu vi todo o sangue em volta de mim. Por conta do choque e da adrenalina no momento eu não senti dor. Depois que ele me largou eu consegui compreender o que estava acontecendo e orei pra Deus, pedi pra ele não me abandonar e ficar ali comigo”, ressaltou.
Desespero e o socorro
Poucos segundos após o ataque, a comunidade se reuniu em torno de Késsia e acionou o socorro. “Fiquei acordada o tempo todo e vi o povo desesperado. Foi muito chocante, as pessoas desesperadas e chorando. A gente vê o que acontece com as pessoas, o quão brutal o mundo pode ser e quando acontece com a gente, fica pensado ‘meu, é sério que está acontecendo isso comigo?”, indagou.
Na chegada da polícia, Késsia passou informações sobre como o ataque tinha ocorrido, quem era o agressor e qual seu endereço. Ele foi capturado minutos depois em sua casa. “Quando chegou a emergência o tempo todo falavam pra ficar com eles e não desmaiar. Eu não sabia o quanto tinha sido atingida. A minha mão vi de lado que estava despedaçada e achei que tinha solução, pedi pra Deus pra ficar com a minha mão. É um choque quando você tem as duas e do nada acaba perdendo uma”, desabafou.
Outras vítimas
Além de Késsia, a gerente Jhenyfer Schlucubier, de 32 anos, e Felipe Eduardo de Lima Kwitschal, de 19, foram atingidos com golpes de facão. Os três estavam na mesma sala na Fundação Hospitalar recebendo atendimento das equipes. “Deram total atenção pra gente. Quando foram costurar minha cabeça eu estava consciente o tempo todo, só senti as agulhadas da anestesia. A única vez que fiquei desacordada foi quando fui pra sala de cirurgia para amputarem minha mão. Quando o médico falou que não tinha solução, foi muito chocante pra mim. Naquele momento aceitei que não teria mais minha mão direita”, comentou Késsia.
Ao ver a aflição e o desespero dos pais, a jovem disse que precisava dar uma palavra de conforto e tranquilidade para a família. “Isso machucou muito, eu só queria que eles soubessem que eu estava bem e viva. Quando vi eles, tentei mudar o humor e falei ‘pai, vou precisar de uma mão e de uma peruca’. Acho que aquilo conformou um pouco o coração deles”, disse ela, elogiando a equipe do hospital pelo acolhimento.
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Confira também o depoimento da jovem no canal do Youtube de A Gazeta abaixo:







