SteelMast conclui túnel de 3 km do Complexo Hidrelétrico Rio Vermelho após 11 anos

Com isso, foi encerrada uma etapa estratégica de projeto hidrelétrico iniciado em 2015

• Atualizado 6 meses atrás.

Momento em que funcionários que trabalhavam dentro do túnel concluíram os trabalhos após 11 anos (Foto: Jonei Schritki / A Gazeta)
Momento em que funcionários que trabalhavam dentro do túnel concluíram os trabalhos após 11 anos (Foto: Jonei Schritki / A Gazeta)
Momento em que funcionários que trabalhavam dentro do túnel concluíram os trabalhos após 11 anos (Foto: Jonei Schritki / A Gazeta)

A conclusão do terceiro e último túnel do Complexo Hidrelétrico Rio Vermelho representa um marco na trajetória da SteelMast, empresa sediada em São Bento do Sul e comandada pelo empresário Frank Bollmann. A escavação de três quilômetros, realizada na localidade de Rio Natal com tecnologia alemã e sem uso de explosivos, encerra uma etapa iniciada há mais de uma década e de um projeto concebido há cerca de 20 anos. Para comemorar o feito, foi realizada uma solenidade no próprio local, com autoridades, imprensa e colaboradores, na manhã da última sexta-feira (27), para acompanhar os últimos metros de escavação.

CEO da SteelMast e idealizador do empreendimento, Bollmann destacou que o projeto nasceu da ligação pessoal com a região. “Esse projeto nasceu de uma ligação antiga com essa região. Sempre frequentei essa área, conheço bem o rio e os desníveis. A partir desse conhecimento, buscamos uma empresa especializada para realizar os primeiros estudos técnicos e desenvolver os projetos básicos”, relatou.

O Complexo Rio Vermelho é formado por seis usinas, sendo duas Pequenas Centrais Hidrelétricas e quatro Centrais Geradoras Hidrelétricas, que juntas devem atingir 26,98 megawatts de potência instalada. Duas unidades já estão em operação. Segundo Bollmann, um dos maiores desafios ao longo dos 11 anos de escavação foi garantir a segurança da equipe que trabalhou no interior do túnel. “Despertávamos no meio da noite pensando no que poderia acontecer com os funcionários lá dentro. São três quilômetros. Se colapsasse o túnel, seria algo muito grave. Isso nos fez cuidar com extremo critério da segurança”, afirmou.

De acordo com ele, os três túneis foram executados sem registro de acidentes. A máquina utilizada, conhecida como TBM, pesa aproximadamente 119 toneladas e possui 42 metros de comprimento. O equipamento opera com cilindros hidráulicos que exercem pressão constante contra a rocha, permitindo escavação a frio e reduzindo impactos ambientais.

Desenvolvimento
Quando o complexo estiver totalmente em funcionamento, a previsão é de geração de cerca de 12,5 milhões de quilowatts por mês. “Estamos gerando a própria energia, o que é importante sob o aspecto social e econômico”, destacou Bollmann.

O empreendimento já soma aproximadamente R$ 164 milhões investidos nos últimos seis anos, com previsão de novos aportes para a conclusão das etapas restantes. A energia será conectada à subestação da Celesc, nas proximidades da Promosul, por meio de uma linha de transmissão de 27 quilômetros.

Apoio do Estado
Presente no evento, o secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviço, Silvio Dreveck, ressaltou o perfil empreendedor do empresário e a relevância do projeto para Santa Catarina. “É uma liderança criativa e inovadora, que faz diferença para São Bento do Sul e para o Estado. Projetos como este geram energia limpa, emprego e desenvolvimento”, destacou.

O secretário também mencionou o programa estadual Energia Boa, que apoia a implantação de pequenas centrais hidrelétricas e prevê investimentos superiores a R$ 570 milhões em novas conexões e infraestrutura.

Sobre a operação
Natural de São Bento do Sul, o colaborador Thiago Kuiavski, operador da máquina responsável pela escavação, definiu o momento como gratificante. “Trabalhamos há bastante tempo nessa máquina. Finalizar esse túnel é algo muito especial”, disse.

Segundo a empresa, o método utilizado permitiu preservar 50.400 metros quadrados de mata atlântica, evitando a supressão de aproximadamente 7.560 árvores. O material escavado também pode ser reaproveitado em pavimentação e outras aplicações. Além do projeto energético, a SteelMast mantém programa de educação ambiental que já recebeu cerca de 5.800 estudantes da região ao longo da última década.

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