Servidores de São Bento do Sul têm salário comprometido por dívidas

Prefeitura propõe limitar descontos em folha
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• Atualizado 1 meses atrás.

Vereadores debatem novos meios para conter o endividamento (Foto: Luzardo Chaves)
Vereadores debatem novos meios para conter o endividamento (Foto: Luzardo Chaves)

Um levantamento da Prefeitura de São Bento do Sul revelou que servidores públicos do município estão com grande parte do salário comprometida por descontos em folha, como empréstimos e convênios. Em alguns casos, a renda líquida chega a quase zero.

Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (10), em reunião no gabinete do prefeito Antonio Tomazini (PL), com participação de vereadores e equipe técnica. Segundo o estudo, baseado na folha de fevereiro de 2026, o município tem 2.642 servidores, com salário médio bruto de R$ 5.494. Desse valor, em média R$ 3.809 são descontados, restando R$ 1.686 líquidos.

A situação é considerada mais grave em 410 casos, onde mais de 50% da renda está comprometida. Em outros 38 servidores, o valor restante ao fim do mês varia entre 0% e 10% do salário.

A prefeitura aponta que o cenário foi provocado pela ausência de um limite global para descontos, permitindo o acúmulo de empréstimos e convênios. Atualmente, existem diferentes tetos por modalidade, o que, na prática, ampliou o nível de endividamento.

Diante disso, o Executivo prepara um decreto para reorganizar o sistema de consignações. A proposta prevê limitar os descontos facultativos a 50% da renda líquida, com teto máximo de 70% em casos específicos, como planos de saúde. Também será garantido que pelo menos 30% do salário permaneça disponível ao servidor.

A medida deve ser implementada em etapas: três meses para adequação dos sistemas e até um ano para revisão dos contratos já existentes. Durante esse período, servidores com maior nível de endividamento serão chamados para orientação individual.

Segundo a administração municipal, a mudança busca evitar o avanço do superendividamento e dar mais controle financeiro aos trabalhadores. A regulamentação será feita por decreto e não depende de aprovação da Câmara.

O tema também gera preocupação entre vereadores, principalmente quanto ao impacto sobre servidores mais vulneráveis e possíveis reflexos no comércio local, que utiliza convênios consignados como forma de pagamento.

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