Enquanto a Defesa Civil atendia ocorrências provocadas pelas chuvas da última segunda-feira (31), um fato chamou a atenção: apesar do grande volume de chuva registrado nos últimos dias, os rios de São Bento do Sul permaneceram dentro da normalidade e não houve registros de alagamentos de grandes proporções provocados pela elevação do nível das águas.
Para o secretário municipal de Obras, Luiz Neri Pereira, o Magrão, esse cenário é resultado de um trabalho contínuo de prevenção realizado desde 2023, com a limpeza de rios e córregos em diversos pontos do município. Segundo ele, a iniciativa começou após as fortes enchentes registradas entre o fim de 2022 e o início de 2023, quando diversas famílias tiveram as casas invadidas pela água e perderam móveis, eletrodomésticos e alimentos. “Foi uma situação muito triste. Muitas famílias perderam praticamente tudo o que tinham. Foi a partir daquele momento que entendemos que era preciso investir em prevenção”, relembra.
De acordo com Magrão, desde então aproximadamente 120 quilômetros de cursos d’água já receberam serviços de limpeza. Entre os principais trechos estão os rios Banhados, em Serra Alta, e o rio Negrinho, na região do bairro Centenário, considerados historicamente os mais críticos durante períodos de chuva intensa.
O secretário explica que esses locais já passaram por três intervenções desde 2023. O objetivo é retirar árvores caídas, galhos, lixo e outros materiais que acabam represando a água e dificultando o escoamento. “Esse trabalho não pode parar. A cada um ano e meio, aproximadamente, voltamos aos mesmos pontos para fazer uma nova limpeza. É um serviço permanente”, afirma.
Moradores cobram solução
Apesar dos avanços apontados pela Prefeitura, moradores da localidade de Rio Antinha afirmam que ainda enfrentam dificuldades sempre que ocorrem chuvas mais intensas. A moradora Luciana Fossile procurou A Gazeta para relatar que a comunidade aguarda, há cerca de dois anos, uma solução para os frequentes alagamentos que interrompem o acesso entre São Bento do Sul e Rio Negrinho.
Segundo ela, aproximadamente 30 famílias são afetadas pelo problema. A principal reivindicação é a elevação da água em um trecho da via, além da substituição da antiga tubulação existente no local, considerada insuficiente para dar vazão. “Com qualquer chuva a estrada fica alagada e a gente perde o acesso. Tem crianças que deixam de ir para a escola, idosos e, se alguém precisar de atendimento médico, praticamente não consegue sair da comunidade”, relata.
Luciana afirma que os moradores chegaram a se reunir com o prefeito e representantes da Secretaria de Obras há cerca de dois anos para apresentar a situação. Segundo ela, até o momento nenhuma obra foi executada. Ela também relata prejuízos causados pelas chuvas, como a dificuldade de acesso de moradores e caminhões, além de danos registrados em sua propriedade.
Magrão afirmou que a nova etapa de limpezas deve beneficiar a região. Segundo ele, a intervenção prevista para os próximos dias avançará aproximadamente 2,5 quilômetros em direção à divisa com Rio Negrinho. De acordo com o secretário, o trecho possui obstáculos que acabam represando a água. “Devemos começar esse trabalho ainda neste mês, assim que toda a documentação estiver concluída. Vamos avançar mais 2,5 quilômetros, quase até a divisa com Rio Negrinho. Isso vai ajudar bastante. São muitas árvores caídas e atravessadas no rio, represando a água. A situação vai ficar bem mais tranquila para as pessoas”, afirma.
Trabalho continua
Apesar dos resultados positivos, Magrão ressalta que nenhuma ação elimina completamente o risco de alagamentos em situações de chuva extrema. “Não podemos dizer que nunca mais vai alagar. O clima foge do nosso controle. Mas conseguimos reduzir muito os impactos”, comenta.
Segundo ele, locais que historicamente sofriam com alagamentos frequentes, como a Vila Schwartz, Serra Alta e a região da Alberto Torres, no Centenário, deixaram de registrar ocorrências causadas pelo transbordamento dos rios desde o início do programa de limpeza.
O secretário observa que alguns atendimentos ainda ocorrem durante temporais, mas, na maioria das vezes, estão relacionados a problemas na drenagem urbana. “Muitas tubulações têm mais de 30, 40 ou até 50 anos. Quando elas entopem, a água pode entrar em terrenos e residências. Hoje, felizmente, os rios não estão mais invadindo as casas como acontecia no passado”, explica.
Para Magrão, investir em prevenção também representa economia para o município, já que reduz os prejuízos às famílias e os custos com atendimentos emergenciais após eventos climáticos. “A prevenção precisa ser contínua. Esse é um trabalho que não pode ter interrupção. É ela que traz resultado quando enfrentamos períodos de chuva intensa”, conclui.



