Nunca se falou tanto de saúde mental. Mas para chegar até aqui, foi um processo longo de desconstrução e resiliência, tendo de lidar com desconfiança, piadas e muito preconceito. Afinal, quem nunca ouviu a frase “psicólogo é coisa de louco”, ou “não vou falar dos meus problemas para estranhos”.
E o resultado desse pensamento são pessoas ansiosas, estressadas e cansadas mentalmente. A pandemia da Covid-19 acelerou diversos processos, e um deles foi o tema saúde mental dentro do mercado de trabalho. Afinal, trata-se de um problema silencioso, que impacta não apenas os negócios, mas principalmente a saúde dos colaboradores.
O que não faltam são dados para corroborar essa realidade. Estudo recente da Predictus, maior banco de dados judiciais do Brasil, revelou que entre 2015 e 2024, o número de processos motivados por burnout em Santa Catarina cresceu 267%. Em 2015, foram registrados 9 casos, saltando para 33 em 2024. De 2015 a 2025, Santa Catarina registrou ao todo 198 processos judiciais relacionados à síndrome de burnout. A nível nacional, somente no ano passado foram concedidos mais de 470 mil benefícios previdenciários associados à saúde mental. O número é consideravelmente maior se comparado com os 200 mil benefícios de 2022 e os 283 mil de 2023.
A situação é tão importante que virou norma obrigatória dentro das indústrias, através da NR-01, o que coloca a saúde mental na mesma prateleira que outras situações comuns de cuidado dentro de um ambiente de trabalho, como o correto manuseio das máquinas ou trabalho em altura.
No especial produzido por A Gazeta, você poderá entender mais sobre como o tema saúde mental vem sendo trabalhado pelas empresas, com exemplos reais que vêm sendo desenvolvidos dentro das fábricas e já apresentam seus resultados positivos. São ações que vão desde rodas de conversa a contatos particulares, passando por acolhimento e atividades recreativas voltadas para o bem-estar.
Para expandir o tema, também vamos explicar detalhadamente a NR-01, como ela modifica as relações de trabalho, e até o que a maneira com que o trabalhador senta na cadeira ou quantas horas fica em pé afeta na sua saúde mental. O material fala ainda sobre projetos dentro da temática desenvolvidos pelo Sesi e Univille, e uma conversa com psicóloga especialista no assunto.
Confira, a seguir, as demais matérias do caderno especial sobre saúde mental na indústria, produzido por A Gazeta:
– Entenda o que é o “presenteísmo” e as ações do Sesi no auxílio à saúde mental na indústria
– Saúde mental na indústria: afastamentos dobram no país e empresa de São Bento usa totens para cuidar da mente do funcionário
– Saúde mental na indústria: apoio psicológico ajuda funcionária a superar crise e diminui casos de ansiedade em empresa de Rio Negrinho
– Saúde mental na indústria: Oxford amplia atendimento psicológico e atende mais de 300 funcionários em um ano
– Saúde mental na indústria: Artefama investe em acolhimento e integração para melhorar o bem-estar dos colaboradores
– Saúde mental na indústria: estudantes da Univille levam diagnóstico e apoio psicológico para empresas da região
– Saúde mental na indústria: afastamentos em 2024 mostram a importância da ergonomia para o bem-estar
– Saúde mental na indústria confronta gerações e fica entre tabu e frescura




