Apoio psicológico ajuda funcionária a superar crise e diminui casos de ansiedade em empresa de Rio Negrinho

Acolhimento dentro das empresas tem auxiliado na vida dos colaboradores

• Atualizado 5 meses atrás.

Acolhimento dentro da empresa Solida Brasil Madeiras, de Rio Negrinho, tem auxiliado na vida dos colaboradores (Foto: Larissa Hirt / A Gazeta)

“Todos aqui acompanharam meu processo e viram a minha evolução”. A fala afirmativa é de Heloiza Pryscilla de Miranda Gomes, analista financeiro da empresa Sólida Brasil Madeiras, de Rio Negrinho. Com diversos problemas particulares, ela percebeu que não conseguia se concentrar no trabalho e decidiu procurar ajuda da psicóloga disponível dentro da própria empresa. E ela foi muito bem acolhida.

Na empresa, que possui cerca de 770 colaboradores, a responsável por essa escuta é a psicóloga Kerlin Aparecida Chaves Junkovski. Ela foi contratada há cerca de três anos através de parceria com o Sesi, e atende exclusivamente a empresa nas segundas-feiras de cada semana. “Dentro desse programa do Sesi é trabalhado o atendimento clínico com a psicoterapia breve, um atendimento que trabalha a questão existencial e o que está acontecendo com o indivíduo. Esse colaborador chega no ambulatório pela técnica de enfermagem, pelo supervisor ou por interesse próprio”, explica a profissional.

O programa citado por Kerlin é o Projeto Acolher, que consiste em ampliar o atendimento aos trabalhadores do país. “No início fizemos uma abertura sobre o trabalho, foram chamados todos os supervisores para participarem e saber como ia ser o andamento do programa. Fizemos essa conversa e tiramos todas as dúvidas. Tivemos uma abertura muito grande, não temos dificuldades deles em deixar o colaborador vir para o atendimento e ficar o tempo necessário”, detalha Kerlin.

Conforme ela, o programa foi adotado pensando justamente no bem-estar e na qualidade de vida do trabalhador. “Eu olho o colaborador como pessoa, não como profissional nesse primeiro momento, e depois vou trabalhando essas questões de relacionamento. Hoje não conseguimos mais fazer essa separação entre casa e trabalho. Às vezes estou com uma demanda lá fora, com o marido ou filho doentes, e não consigo estar 100% na empresa. As pessoas estão dentro do problema e não veem outros caminhos. Aí vem alguém de fora e nos ajuda a olhar de forma diferente. É nesse sentido que vou trabalhando, sempre ajustando conforme a pessoa que está ali”, frisa a profissional.

O fim de uma nuvem negra
Colaboradora há mais de três anos na Sólida, Heloiza disse que procurou auxílio logo quando o programa foi inserido na empresa. “Senti essa necessidade porque tive problemas pessoais que estavam me sobrecarregando e acabei sentindo que isso afetava meu trabalho. Busquei a ajuda da Kerlin e ela foi me orientando sobre como tratar isso. Fui trabalhando com as ideias dela, consegui expor o que estava sentindo e isso ajudou muito. Às vezes com um familiar você não consegue se abrir porque pensa que pode causar uma intriga ou uma briga. Aqui temos a certeza que há um sigilo total e que nada do que conversamos vai vazar. A gente se sente à vontade para se abrir e descarregar esse peso que trazemos”, relata.

Ela conta que a sobrecarga da vida pessoal, sendo mãe, filha e esposa, somou-se à uma reforma na casa e um câncer na família. “Chegou a um ponto que tudo isso se juntou e eu não conseguia sair daquele bolo. Eu não conseguia me concentrar direito, não conseguia absorver mais demandas e vi que precisava de ajuda”, falou. “Foi uma experiência muito boa. A sessão antes era toda semana, aí aumentamos o intervalo e hoje eu vou somente pra gente recapitular e ver se está tudo bem, contar o que consegui agregar de bom. Tudo fica mais leve”, lembra a funcionária da empresa.

Com o andamento do projeto, caíram os números de casos de crise de ansiedade na empresa. “Eu sou um exemplo. Eu tomava ansiolítico e antidepressivo. Comecei a fazer as sessões e faz mais de meio ano que não preciso tomar mais nada. Se todo mundo tivesse a experiência ao menos uma vez, saberia quão válido é isso. Você poder se abrir com alguém e contar todos os seus problemas. Hoje está tudo mais tranquilo, mais alegre, não tem mais aquela nuvem negra ao redor de mim”, pontua Heloiza.

“Todo mundo deveria passar pelo profissional para autoconhecimento. Daqui a pouco pode acontecer algo na vida dela que pode ser algo diferente do que trouxe na sessão, mas ela tem uma bagagem de autoconhecimento e isso vai ajudá-la a lidar com essas coisas”, completa Kerlin.

Confira, a seguir, as demais matérias do caderno especial sobre saúde mental na indústria, produzido por A Gazeta:

– Saúde mental na indústria: burnout cresce 267% em SC e empresas adotam ações para cuidar da mente
– Entenda o que é o “presenteísmo” e as ações do Sesi no auxílio à saúde mental na indústria
– Saúde mental na indústria: afastamentos dobram e empresa de São Bento usa totens para cuidar da mente do funcionário
– Saúde mental na indústria: Oxford amplia atendimento psicológico e atende mais de 300 funcionários em um ano
– Saúde mental na indústria: Artefama investe em acolhimento e integração para melhorar o bem-estar dos colaboradores
– Saúde mental na indústria: estudantes da Univille levam diagnóstico e apoio psicológico para empresas da região
– Saúde mental na indústria: afastamentos em 2024 mostram a importância da ergonomia para o bem-estar
– Saúde mental na indústria confronta gerações e fica entre tabu e frescura

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