Um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que São Bento do Sul apresenta desafios ambientais que podem impactar diretamente a saúde e o desenvolvimento de crianças e adolescentes. O diagnóstico faz parte do Painel Crianças e Meio Ambiente, ferramenta desenvolvida em parceria com a organização internacional Vital Strategies para auxiliar gestores públicos na definição de políticas voltadas à infância diante das mudanças climáticas e dos riscos ambientais.
O levantamento avaliou os 5.571 municípios brasileiros, abrangendo cerca de 53 milhões de crianças e adolescentes, por meio de 14 indicadores de exposição ambiental, organizados em níveis de prioridade. O objetivo é identificar situações que exigem desde monitoramento contínuo até ações imediatas para reduzir riscos à população infantojuvenil.
Em São Bento do Sul, município com 87,7 mil habitantes, dos quais 25,84% são crianças e adolescentes (quase 22,7 mil pessoas), os indicadores de maior preocupação aparecem nas áreas de qualidade do ar e infraestrutura urbana. Entre os itens classificados com nível 3 (atenção alta), o painel destaca que, conforme a metedologia aplicada, 0,49% das crianças e adolescentes vivem em moradias consideradas precárias.
Outro indicador que recebeu a classificação máxima de prioridade é o percentual de dias com concentração de partículas finas (PM2,5) acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que alcança 39,96% dos dias analisados. Essas partículas são provenientes de fontes como indústrias e queima de combustíveis de automóveis.
Divergência no saneamento
O relatório mostra uma divergência com relação ao saneamento básico. Tanto que aparecem como nível 2 (atenção média) os indicadores relacionados às escolas sem saneamento completo, representando 9,9% das matrículas, mas, ao mesmo tempo, um indicador de nível 1 (atenção baixa) aponta que há bom acesso à água tratada, coleta de lixo e esgotamento sanitário. No mesmo nível, encontram-se ocorrências de focos de calor.
Chuvas fortes
Já a média de 42 eventos anuais de chuvas mais fortes registradas no município está no estágio 2 (média atenção necessária).
Apoio e análise
Segundo o Unicef, o painel foi criado para apoiar os municípios na análise de seus territórios e na elaboração de ações preventivas voltadas à proteção da infância. A iniciativa parte do princípio de que crianças e adolescentes são mais vulneráveis aos impactos da poluição, dos eventos climáticos extremos e das condições inadequadas de saneamento e moradia.
Os dados do Painel Crianças e Meio Ambiente estão disponíveis para consulta pública no portal criancasemeioambiente.org.br.




