São Bento do Sul se tornou, na última sexta-feira (17), um dos símbolos da mobilização catarinense por escolas mais seguras. O município sediou, no auditório da Univille, o Seminário Macrorregional de Segurança nas Escolas, último de um ciclo de cinco encontros promovidos pelo “Comitê Integra” em Santa Catarina. O evento reuniu representantes das regiões de AMVALI, AMPLANORTE e AMUNESC, incluindo gestores municipais, educadores, forças de segurança, Judiciário e órgãos de controle para alinhar estratégias de prevenção a ataques, estruturar comitês de segurança e consolidar uma rede de proteção baseada na integração entre instituições e na cultura de paz.
Na abertura dos trabalhos, o prefeito Antonio Tomazini (PL) ressaltou que o município iniciou medidas de segurança ainda em 2021 e 2023, após os ataques em Saudades e Blumenau. Ele lembrou que o episódio em Blumenau “chamou muita atenção” de toda a comunidade escolar local e levou a uma série de providências imediatas.
Entre as ações, Tomazini destacou a instalação de mais de 440 câmeras de monitoramento em todas as unidades de ensino, acompanhadas em tempo real; a implantação de entradas duplas em creches e centros de educação infantil, com reconhecimento facial dos responsáveis, e o aumento da altura de cercas e muros, em diálogo permanente com a Polícia Militar. “A gente está aqui para prevenir que aconteçam eventos horrorosos nas escolas. A escola é lugar de aprendizagem, de paz. Vamos continuar reformando todas as nossas escolas para dar maior segurança para as crianças”, afirmou.
O prefeito também fez um apelo direto às famílias. Ele reforçou a importância de manter atualizados os cadastros de quem está autorizado a buscar os alunos e alertou para o impacto negativo de brigas e do mau uso da internet na formação das crianças. “Os pais são os mais importantes. A família é muito importante para educar essa criança junto com a escola. Nós vamos fazer de tudo para protegê-las dentro do ambiente escolar. Nós queremos paz”, disse.
Fecam
Representando a Federação Catarinense de Municípios (Fecam), a supervisora de Políticas Públicas Marinês Zambon lembrou que a entidade integra o comitê desde 2023 e que o primeiro ano de trabalho foi dedicado à elaboração de um protocolo único de segurança para todas as redes de ensino: municipal, estadual e privada.
Segundo ela, os ataques em Saudades e Blumenau exigiram um “restart” na forma de pensar a segurança escolar. Destacou que pais que perderam filhos nessas tragédias hoje participam ativamente do comitê, trazendo a perspectiva das famílias. “Esse é um trabalho que não é de uma entidade, é de todos nós. Se a gente não se unir, vamos ter outros eventos, com toda certeza”, alertou Marinês, lembrando que o direito a um ambiente seguro é de todas as crianças.
A partir do seminário em São Bento do Sul, três comitês regionais de segurança escolar serão estruturados, um em cada associação de municípios que marcou presença. Esses comitês regionais terão a função de apoiar e organizar os comitês municipais, que, por sua vez, envolverão atores locais como prefeituras, escolas, Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros, Ministério Público, Defesas Civis e demais setores.
O passo seguinte será dentro das unidades de ensino. “O terceiro momento vai ser quando todas as escolas, municipais, particulares e estaduais, tiverem o seu plano de contingência, prevendo o que fazer em caso de invasão ou qualquer outra situação de risco”, explicou. Marinês informou que 19 associações de municípios e cerca de 190 cidades já passaram por processos de alinhamento e que a meta é chegar ao fim do ano com todos os comitês organizados e os planos de contingência em elaboração ou já implantados.
Para além de barreiras físicas e protocolos, ela reforçou que o desafio é também pedagógico e cultural: “A gente sabe que precisa bloquear, prevenir, mas também precisa trabalhar a cultura da paz dentro das escolas. As crianças, os professores, os pais precisam estar com isso no coração. Não se faz esse trabalho sem a participação das famílias”, complementou.






