São-bentense enfrenta até -58°C e é co-campeã de ultramaratona no Alasca

Mayella Rawietsch Krause completou os 1,6 mil quilômetros pelo Alasca em 28 dias

• Atualizado 16 dias atrás.

Atleta na linha de chegada (Foto: Divulgação)

São-bentense de nascimento, a ciclista Mayella Rawietsch Krause, de 36 anos, obteve uma conquista e tanto há poucos dias, ao se tornar co-campeã do Iditarod Trail Invitational, uma das provas mais extremas do mundo. O desafio consistiu em percorrer cerca de 1,6 mil quilômetros pelo Alasca de fat bike, em condições severas de inverno. A competição exigiu autossuficiência total: sem equipes de apoio, cada atleta precisou carregar e gerenciar todos os equipamentos, alimentação e itens de sobrevivência.

Ela relatou para A Gazeta alguns detalhes da competição em seus momentos derradeiros. Ex-moradora do bairro 25 de Julho – onde deu suas primeiras pedaladas –, a atleta reiterou que o inverno alasquiano, neste ano, foi um dos mais rígidos dos tempos recentes.

Segundo Mayella, em determinado momento foram seis dias consecutivos com muito frio. Tanto que a maior temperatura foi de -25ºC neste período. Isso mesmo: a maior! Porque a mínima chegou a -58ºC nestes dias – isso sem contar os termômetros ainda mais em baixa, devido à sensação térmica. “Foi extremamente difícil”, resumiu ela, explicando que rajadas intensas de vento também foram registradas.

Destacando que chegou a empurrar a bicicleta por quilômetros seguidos durante o torneio, a ciclista contou que viveu um paradoxo após o término da prova. “Parece que uma vida inteira aconteceu em 28 dias”, disse. Mas, ao mesmo tempo, agora a sensação é de “tudo passou em um piscar de olhos”, conforme sua definição.

Instantes decisivos
Um dos instantes decisivos da parte final do evento, de acordo com ela, ocorreu nos arredores da Baía de Norton. A previsão do tempo indicava a aproximação de uma tempestade de vento, com até 90 quilômetros por hora.

Para evitar problemas maiores, ela e um grupo de três outros ciclistas (dos Estados Unidos e da França) decidiram juntos que, mais do que nunca, era preciso acelerar – na medida do possível, claro. A decisão levou em conta não só a necessidade de terminar a competição antes da exigência de 30 dias, mas também fugir da tempestade e das condições mais adversas ainda.

O grupo, ao final, cruzou a linha de chegada praticamente de forma simultânea. “Foram os quatro campeões”, explicou. Assim, a são-bentense dividiu o título com a americana Kendall Park, enquanto o francês Erick Basset e o americano Ryan Wanless faturaram o campeonato masculino.

Às lágrimas
Passadas as lágrimas ao cruzar a linha de chegada e já em recuperação, a ciclista de São Bento do Sul, que mora nos Estados Unidos desde 2010, ainda relatou que em algumas ocasiões chegou a interromper as pedaladas – e caminhadas – por apenas quatro ou cinco horas de um dia para o outro.

“Não tínhamos muito tempo para descansar. Nos vilarejos, onde ficávamos em escolas, colocávamos as roupas para secar, descansávamos o que dava e já pegávamos o trecho de novo”, disse ela, que integra um seleto grupo de apenas 12 mulheres que completaram a prova, em todas as edições.

Por que co-campeões?
Especialmente na prova de 1.000 milhas da Iditarod Trail Invitational, ciclistas optam por terminar juntos o evento, devido às condições extremas.

Mais detalhes sobre a preparação, desafios e bastidores da prova você confere na edição impressa conjunta de sábado (28) e domingo (29).

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