Santa Catarina registra recorde na contratação de estrangeiros e lidera geração de empregos no país

Venezuelanos representam 43% do saldo de vagas abertas para estrangeiros no Estado, seguidos pelos haitianos (23%) e cubanos (19%)

• Atualizado 3 dias atrás.

Grande parte desses trabalhadores chegou ao Brasil em razão de crises humanitárias (Foto: Divulgação)
Grande parte desses trabalhadores chegou ao Brasil em razão de crises humanitárias (Foto: Divulgação)
Grande parte desses trabalhadores chegou ao Brasil em razão de crises humanitárias (Foto: Divulgação)

Santa Catarina voltou a ocupar a liderança nacional na geração de empregos formais para trabalhadores estrangeiros. Entre janeiro e maio de 2026, o Estado registrou saldo de 10,2 mil novas carteiras assinadas por pessoas de outras nacionalidades, o maior resultado da série histórica para os cinco primeiros meses do ano.

O crescimento ocorre mesmo em um cenário de desaceleração do mercado de trabalho catarinense. Enquanto a geração total de empregos no Estado recuou 17% em comparação com o mesmo período de 2025, as contratações de estrangeiros aumentaram 14%, evidenciando a importância dessa mão de obra para suprir a demanda das empresas em diferentes setores da economia.

De acordo com os dados, os venezuelanos representam 43% do saldo de vagas abertas para estrangeiros no Estado, seguidos pelos haitianos (23%) e cubanos (19%). Grande parte desses trabalhadores chegou ao Brasil em razão de crises humanitárias e encontrou em Santa Catarina oportunidades de inserção no mercado formal de trabalho.

Para o presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), Elson Otto, o aumento das contratações confirma uma realidade enfrentada pelas empresas catarinenses há vários anos: a dificuldade em encontrar profissionais para preencher as vagas disponíveis. “Nosso Estado continua se destacando pela capacidade de gerar oportunidades, mas enfrenta um desafio crescente relacionado à disponibilidade de mão de obra. A contratação de trabalhadores estrangeiros tem sido fundamental para atender à demanda das empresas, manter a competitividade da economia e sustentar o desenvolvimento das diferentes regiões do Estado”, afirma.

Interiorização
Santa Catarina também foi o Estado que mais recebeu venezuelanos por meio do programa federal de interiorização, que transfere voluntariamente refugiados de Roraima para outras regiões do país. Entre janeiro e maio, cerca de 800 venezuelanos foram encaminhados para municípios catarinenses, o equivalente a quase 20% de todo o processo realizado no Brasil. Chapecó, Guatambu, Maravilha e Joinville estão entre as cidades que mais receberam trabalhadores.

Regiões com mais vagas
O Oeste catarinense liderou a geração de empregos para estrangeiros, com saldo de 3,4 mil vagas. A maior parte das contratações ocorreu nas indústrias de carnes de aves e suínos, especialmente para funções como magarefes e alimentadores de produção.

Na sequência aparecem o Vale do Itajaí e o Norte do Estado, que juntos responderam por 3,5 mil novos postos de trabalho. No Vale, destacam-se Blumenau, Itajaí e Balneário Camboriú, com oportunidades concentradas no comércio, supermercados, construção civil e serviços. Já no Norte, Joinville e Jaraguá do Sul lideraram as admissões em setores como metalurgia, indústria têxtil, fabricação de máquinas, produtos plásticos e serviços administrativos.

A Grande Florianópolis registrou saldo de 1,4 mil vagas, principalmente em São José e Palhoça, com oportunidades nas áreas de logística, armazenamento, publicidade e serviços administrativos.

Embora tenham registrado menor volume de admissões, Serra e Sul catarinense apresentaram crescimento expressivo na contratação de estrangeiros. Na comparação com o mesmo período de 2025, o saldo aumentou 182% na Serra e 43% no Sul. Em municípios como São Joaquim e Lages, a agropecuária impulsionou as contratações, enquanto Criciúma e Içara concentraram vagas nos setores industrial, automotivo, de confecção, laticínios e comércio.

Segundo a Facisc, além de atender à necessidade de mão de obra das empresas, a inserção de trabalhadores estrangeiros fortalece a economia dos municípios, amplia o consumo de bens e serviços e contribui para o desenvolvimento das cadeias produtivas catarinenses.

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