O transporte de cargas no Planalto Norte catarinense enfrenta dificuldades simultâneas em duas das principais ligações da região com o litoral. Na SC-418, a Serra Dona Francisca permanece com restrição para veículos pesados após um deslizamento no km 16. Na BR-280, em Corupá, caminhões e carretas também encontram dificuldades para vencer a Serra, com relatos de derrapagens e problemas de aderência no pavimento.
O cenário preocupa o setor de transporte porque uma das principais alternativas para os veículos impedidos de passar pela Dona Francisca também apresenta problemas. Com isso, transportadoras precisam reorganizar rotas, enquanto caminhoneiros enfrentam viagens mais longas, aumento de custos e dificuldades para trafegar por alguns trechos.
Na Serra Dona Francisca, veículos com peso bruto total superior a 7,5 toneladas e veículos articulados seguem impedidos de circular desde o último fim de semana, quando um deslizamento foi registrado no km 16. Para os veículos leves, o trânsito permanece em sistema Pare e Siga.
Equipes técnicas da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade realizaram uma análise das condições geológicas do local para definir quais medidas serão adotadas. Até o momento, porém, ainda não há previsão para a liberação do tráfego de veículos pesados.
Na manhã desta quarta-feira (12), em contato com a reportagem, o secretário de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, Ricardo Grando, atualizou a situação e informou que a sondagem já foi iniciada. Segundo ele, a expectativa é de que até sexta-feira (14) seja definida uma solução e que a intervenção comece na próxima semana.
Alternativa também preocupa
Com a restrição na Dona Francisca, a BR-280, pela Serra de Corupá, passou a receber maior atenção dos motoristas que precisam transportar cargas entre o Planalto Norte, litoral e outras regiões. O problema é que o km 87, no sentido de subida da serra, também apresenta dificuldades para veículos pesados.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que está realizando uma ação emergencial de microfresagem neste trecho. Os trabalhos começaram na última sexta-feira (7) e envolvem a remoção controlada da camada superficial do pavimento em alguns pontos do trecho. De acordo com o órgão, as ranhuras observadas na pista fazem parte dessa intervenção.
A próxima etapa será a aplicação de microrrevestimento asfáltico. O serviço depende de condições climáticas favoráveis, com tempo seco e condições adequadas de temperatura e umidade para garantir a qualidade e a durabilidade do revestimento. Enquanto a intervenção não é concluída, a orientação é para que os motoristas redobrem a atenção ao passar pelo trecho.
Viagens mais longas
Para o secretário executivo da Associação de Transporte do Norte Catarinense (Astran), Walcir Gonçalves, os problemas nas duas rodovias afetam diretamente a operação das empresas de transporte. Segundo ele, quando é necessário buscar uma rota alternativa, o impacto no tempo de viagem é significativo. “Uma viagem para um caminhão chegar em Joinville pode acarretar em atraso de três até quatro horas se tivermos que descer via BR-376 em Tijucas do Sul”, explicou.
Além do tempo adicional na estrada, Walcir destaca que as rotas alternativas aumentam consideravelmente as distâncias percorridas, refletindo diretamente nos custos do frete. “Existem opções de rotas, porém impactam diretamente no custo do frete, uma vez que aumentam consideravelmente as distâncias a serem percorridas”, comentou.
O caminhoneiro Alisson dos Santos Soares, que faz diariamente o trajeto entre Piên e Joinville, relata os impactos. Segundo ele, uma viagem que normalmente leva cerca de 1h40 para descer a Serra Dona Francisca carregado, passou a levar mais de 2h30 ou até mais com a restrição. “Começamos a descer a Serra de Corupá e virou um transtorno totalmente ali, caminhão derrapando, caminhão patinando para subir. Além disso, trava tudo em Jaraguá, porque tem que passar por dentro da cidade”, relata. Para Alisson, uma alternativa seria permitir a passagem de caminhões menores pela Dona Francisca, desde que as condições de segurança permitam.
Reflexos em toda a cadeia produtiva
O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc), Dagnor Schneider, afirma que os impactos vão além do setor de transporte. “Quando temos problemas simultâneos em corredores importantes como a Serra Dona Francisca e a Serra de Corupá, o impacto para o transporte de cargas se amplia significativamente. O transportador precisa buscar alternativas, muitas vezes percorrendo distâncias maiores, enfrentando mais tempo de viagem e aumentando custos com combustível, manutenção e operação”, destacou.
Segundo ele, a situação também compromete a previsibilidade das entregas e pode gerar reflexos em diferentes segmentos da economia. “Esses episódios mostram, mais uma vez, que Santa Catarina precisa avançar em investimentos preventivos e em soluções estruturais para seus principais corredores rodoviários”, concluiu.
Enquanto o Estado avalia a solução para o deslizamento na SC-418 e o DNIT trabalha na recuperação do pavimento da BR-280, o setor de transporte convive com rotas mais longas, aumento dos custos e preocupação com as condições de segurança nos dois principais caminhos utilizados para a circulação de cargas na região.
Leia a matéria completa na edição impressa desta quarta-feira (12).



