O atropelamento de uma cadela mudou a vida de Fernanda Orzechovicz e deu origem a um projeto de proteção animal que completa um ano neste mês, em São Bento do Sul. No dia 5 de maio de 2025, Vitória foi atropelada, sofreu uma lesão na coluna e, como estava com filhotes, passou a ficar temporariamente na casa de Fernanda. Após se recuperar, ela não foi mais embora e se tornou a mascote do projeto “Latinhas da Vitória”.
O nome escolhido para a cadela representa, segundo Fernanda, “coragem, superação e força”. Mesmo machucada, Vitória continuou amamentando os filhotes, que ficaram aos cuidados da família e posteriormente foram doados.
A relação de Fernanda e da mãe, Lourdes Scharmach, com a causa animal, porém, começou há cerca de dez anos. As duas já recolhiam latinhas para vender e destinavam o dinheiro a organizações que ajudavam animais na cidade. Com a chegada de Vitória, decidiram transformar a iniciativa em um projeto próprio.
Em um ano, o “Latinhas da Vitória” arrecadou 855 quilos de latinhas e ajudou a viabilizar 53 castrações, sendo 38 fêmeas e 15 machos. O projeto também contribui com ração, casinhas, vacinas e vermífugos.
“Antes a gente usava o dinheiro das latinhas para ajudar ONGs da cidade. Depois, com a Vitória para ser a nossa mascote, desenvolvemos o projeto mesmo das latinhas. Muita gente vinha pedir ajuda para a gente e nós não tínhamos recurso. Então, foi essa a ideia de começar um projeto nosso com ela junto”, explicou Fernanda.
Coleta e apoio
As coletas são realizadas todas as quintas-feiras nos pontos parceiros. Lourdes fica responsável pela coleta do material, enquanto Fernanda cuida dos agendamentos e pagamentos nas clínicas veterinárias.
Além da venda das latinhas, o projeto conta com madrinhas voluntárias e realiza ações pontuais, como rifas e venda de amendoins. Segundo Fernanda, todas as ações têm prestação de contas para os apoiadores.
A iniciativa não possui abrigo ou lares temporários. Por isso, apesar de receber pedidos de ajuda para recolhimento de animais, a atuação é concentrada no suporte aos tutores, principalmente com castrações e cuidados básicos.
“No começo pensávamos que, se der para castrar um cachorro por mês, meu, ótimo! E, se for para calcular a quantidade que já foi castrada, dá mais ou menos quatro por mês”, contou Fernanda.
Como ajudar
Quem quiser contribuir pode levar latinhas aos pontos de coleta espalhados por São Bento do Sul. Entre eles estão Top Molas, Bom Pet, AgroPolska, Clínica Veterinária Oxford, Clínica Veterinária Ultravet, Hospital Veterinário São Bento, Agropecuária Boehmerwald, Agropecuária Agrovalle, Mercearia do Dori, Alfa Adestramento, Biblioteca Pública Municipal, Empet Conceito, Mais Que Um Pet, Agropecuária Jeito Kaipira, Consertos e Ajustes de Roupas Oxford e Brand Estruturas Metálicas.
As latinhas não precisam estar amassadas. O material é separado antes da venda, e os lacres também podem ser encaminhados.
Empresas e estabelecimentos interessados em se tornar pontos de coleta podem entrar em contato com o projeto pelo Instagram.
Para Lourdes, o trabalho representa a possibilidade de transformar pequenas ações em mudanças concretas na vida dos animais. “Gratidão de a gente poder ajudar os bichinhos, poder mudar a vida desses animais”, afirmou.
“Cada um nasce com a sua missão. Eu até falei para a mãe que a nossa missão é cuidar dos bichos”, completou Fernanda.





