Com camisetas pedindo justiça por Josicler Pieckocz e com os dizeres “Quem ama não mata!”, familiares da pienense de 56 anos aguardavam aflitos pelo julgamento que colocaria um ponto final em uma espera de mais de sete meses. Nos bancos dos réus estavam Leonides Maahs e Luan Bachel, julgados pelo crime de feminicídio ocorrido em fevereiro, em Piên.
A sessão de julgamento começou pouco depois das 8 horas desta quinta-feira (18) no Fórum de Rio Negro/PR e se estendeu até próximo das 20h30, quando foi suspensa. Ela foi conduzida pelo juiz de direito Rodrigo Morillos e teve como acusação o promotor de Justiça Juliano da Silva, além dos advogados de defesa de Luan e Leonides.
Após o sorteio dos jurados, iniciaram-se os depoimentos dos envolvidos no caso. A primeira a ser ouvida foi uma investigadora da Polícia Civil, que contou que, no dia do crime, foi acionada por volta das 15h30 pela Polícia Militar de Piên. Ao chegar no local, foi abordada por Leonides, que lhe mostrou um áudio enviado por Luan, onde o pedreiro assumia a autoria do crime.
Os autos mostram imagens de Leonides e Luan trabalhando na chácara da família durante a manhã do dia do crime. Uma câmera na entrada do segundo andar da casa captou os gritos de socorro de Josicler às 13h45. Uma vizinha teria visto Leonides jogar a câmera no açude da chácara e, no dia seguinte, o equipamento foi recuperado junto com uma pequena marreta.
Em seu depoimento no local do crime, Leonides afirmou que teria ido à Câmara de Vereadores por volta das 13 horas. Mas, de acordo com as câmeras do Legislativo, ele só esteve lá entre 14h56 e 15h17. Foi com base nessas contradições que ele recebeu voz de prisão horas após a morte da esposa. Outro indício destacado pela investigação foi uma mensagem de Luan escrita “espera eu vazar”, juntamente com o áudio em que assumia a autoria.
A família de Josicler se emocionou durante vários momentos do julgamento, especialmente quando foram exibidas imagens da vítima e nos depoimentos dos irmãos Jelson e Joanir. Eles lembraram a vida discreta e generosa da irmã, que ajudou a cuidar deles na infância. “Tive que enterrar ela no dia 13 de fevereiro, dia do meu aniversário”, disse Jelson, emocionado.
O julgamento foi retomado na manhã desta sexta-feira (19), quando acusação e defesa passaram a ter 2h30 cada para expor suas teses. Em seguida, os jurados devem decidir pela condenação ou absolvição dos réus, com a leitura da sentença feita pelo juiz Rodrigo Morillos.
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