Por que o frio aumenta o risco de infarto? Médico do Samu alerta sobre cuidados no inverno

Alta de caso cardiovasculares e respiratórios na região segue a tendência estadual

• Atualizado 1 meses atrás.

Diante desses sintomas, a orientação é acionar imediatamente o Samu pelo número 192 (Foto: Elvis Lozeiko / A Gazeta)
Diante desses sintomas, a orientação é acionar imediatamente o Samu pelo número 192 (Foto: Elvis Lozeiko / A Gazeta)
Diante desses sintomas, a orientação é acionar imediatamente o Samu pelo número 192 (Foto: Elvis Lozeiko / A Gazeta)

As baixas temperaturas registradas durante o inverno têm sido acompanhadas por um aumento nos atendimentos do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) relacionados a doenças cardiovasculares e respiratórias. O crescimento também aparece nos dados de São Bento do Sul e Rio Negrinho, que registraram mais ocorrências entre janeiro e julho de 2026.

Em São Bento do Sul, os atendimentos por infarto passaram de nenhum registro em janeiro para sete em julho deste ano. No mesmo período de 2025, foram registrados dois casos em janeiro e um em julho. Em Rio Negrinho, o Samu registrou um atendimento por infarto em janeiro de 2026 e quatro em julho. No ano passado, os registros passaram de zero para dois casos no mesmo intervalo.

Em Santa Catarina, os atendimentos relacionados a infartos passaram de 333 em janeiro para 413 em julho de 2026. No mesmo período de 2025, o número havia aumentado de 286 para 319 ocorrências.

Atendimentos respiratórios
O comportamento também aparece nos atendimentos relacionados a doenças respiratórias. Em São Bento do Sul, os registros passaram de 18 em janeiro para 22 em julho deste ano. Em 2025, foram 14 atendimentos em janeiro e 20 em julho.

Em Rio Negrinho, o aumento foi mais expressivo: de oito atendimentos em janeiro de 2026 para 22 em julho. No ano anterior, os registros passaram de cinco para 16 no mesmo período. Os dados de Campo Alegre não foram disponibilizados.

Em Santa Catarina, foram registrados 1.479 atendimentos relacionados a doenças respiratórias em janeiro de 2026 e 2.072 em julho. Em 2025, o número havia passado de 1.322 para 2.079 ocorrências.

Frio aumenta atenção
De acordo com uma médica ouvida pelo Samu, as baixas temperaturas exigem atenção principalmente de pessoas que já apresentam fatores de risco para doenças cardiovasculares. “Durante o inverno, ocorre uma maior contração dos vasos sanguíneos para preservar o calor corporal. Esse processo aumenta a pressão arterial e faz com que o coração trabalhe mais. Além disso, há uma maior ativação do sistema de coagulação, fatores que elevam o risco de infarto e AVC, principalmente em pacientes predispostos”, explica.

As infecções respiratórias, que também tendem a se tornar mais frequentes durante o inverno, podem provocar processos inflamatórios capazes de contribuir para complicações cardiovasculares. Entre os grupos que precisam redobrar os cuidados estão pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doença renal crônica, histórico de infarto ou AVC, fumantes e idosos.

Para reduzir os riscos, o Samu recomenda manter as doenças crônicas controladas e o acompanhamento médico em dia, não interromper medicamentos por conta própria, manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física conforme orientação profissional. Também é importante manter o corpo aquecido e estar com as vacinas contra influenza e Covid-19 em dia.

Saiba reconhecer os sinais
O atendimento rápido é fundamental diante de uma emergência cardiovascular. No caso do infarto, o sintoma mais conhecido é a dor ou pressão no peito, que pode se espalhar para o braço, costas ou mandíbula. Mulheres, idosos e pessoas com diabetes também podem apresentar falta de ar, dor na região do estômago, suor frio e mal-estar intenso.

Já os sinais de AVC incluem fraqueza ou dormência em um lado do corpo, boca torta, fala enrolada ou arrastada, perda de visão, perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e intensa

Diante desses sintomas, a orientação é acionar imediatamente o Samu pelo telefone 192 e seguir as instruções fornecidas pelo médico da Central de Regulação. Enquanto a equipe se desloca, o paciente deve permanecer em repouso, sem fazer esforço físico e sem ingerir alimentos.

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