Na manhã desta terça-feira (16), cerca de 60 moradores e proprietários de áreas, a maior parte produtiva, do interior de Campo Alegre, lotaram o Espaço Cultural Syrlei Maria Neumann Johanson para debater a proposta de criação do Parque Nacional Serras do Araçatuba e Quiriri, promovida pela Autarquia ICMBio – Instituto Chico Mendes. O prefeito Rubens Blaszkowsky (PSD) abriu o evento ao lado da comunidade, reforçando sua posição contrária, destacando preocupações compartilhadas com os presentes.
Coube aos representantes do instituto, Érico Kawano e Rafael Rodrigues Machado, uma ampla explanação sobre estudos ambientais e sociais que indicam a região como prioritária para conservação, citando planos nacionais e estaduais. Foram repassadas as informações sobre o andamento do projeto e os resultados colhidos até o momento, ficando claro o interesse em, de fato, transformar uma grande área em reserva nacional que passaria a ser intocável.
O procurador jurídico da Prefeitura, Manolo Del Olmo, criticou as desapropriações federais, apontando valores irrisórios que levam a judicializações demoradas, que em alguns casos demoram até 30 anos para a realização de pagamentos justos, e um rombo de R$ 30 bilhões em precatórios pendentes por conta de outras ações semelhantes. Ele questionou a capacidade do ICMBio de gerir o parque, comparando-o com o maior parque americano e referência mundial, o Parque Yellowstone, que tem mais funcionários que todos os 75 parques brasileiros somados, e defendeu APAs existentes, como Campos do Quiriri e Rio Turvo, mas que também seguem sem plano de manejo atualizado.
Agricultores e pecuaristas, como Lucimar Hoff, temem perda de produção agrícola e familiar, essencial para a sobrevivência de muitas famílias e que tem como destino abastecer a alimentação escolar. Destaca que muitas famílias estão há décadas em áreas já preservadas em mais de 80% do território municipal e sempre cumpriram com o seu papel de zelar pelo Meio Ambiente.
Com os agricultores
O vice-prefeito Tancredo Ronscka (PP) enfatizou que produtores locais preservam sem precisar de penalidades, com apenas 20% da área cultivada em 50 mil hectares totais. Políticos como o senador Esperidião Amin (PP) e o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), já se manifestaram contra em Brasília e pelas redes sociais. Moradores veem a proposta como ameaçadora e corroboram a fala do Procurador Jurídico da Prefeitura que trata a medida “imperialista”, pois, se aprovada, será instituída por decreto presidencial.
Próximos passos
O ICMBio planeja etapa analítica com consultas em cinco municípios (Campo Alegre, Joinville, Garuva, esses em Santa Catarina, e Tijucas do Sul e Guaratuba, no Paraná), visando consulta pública mais amadurecida. A prefeitura prioriza plano de manejo para APAs atuais, provando preservação sem necessidade de criação de um Parque Nacional. A resistência cresceu após a reunião, inconclusiva para muitos, ampliando temores de abandono ambiental futuro.






