A Polícia Civil de Rio Negrinho encerrou 2025 com um balanço que aponta estabilidade nos principais indicadores criminais – em um comparativo com o mesmo período do ano passado, intensificação das ações investigativas e desafios estruturais relacionados ao efetivo. Os dados e a avaliação foram apresentados pelo delegado Rubens Passos de Freitas, que em conversa com A Gazeta, destacou que considerando o porte do município, os índices seguem controlados e abaixo de outras cidades de tamanho semelhante em Santa Catarina.
Segundo ele, ao longo do ano, a delegacia registrou 4.377 boletins de ocorrência. O crime mais comunicado novamente foi o estelionato, com 538 registros, número ligeiramente inferior ao do ano anterior. Segundo o delegado, a redução está relacionada à maior divulgação dos golpes e ao aumento da conscientização da população, embora os crimes virtuais ainda representem cerca de 99% dos casos. Golpes envolvendo falsos advogados, perfis clonados no WhatsApp e pedidos de transferências via Pix continuam sendo os mais frequentes, cita.
A violência doméstica manteve números próximos aos de anos anteriores, com 368 boletins registrados, sendo ameaça e lesão corporal os crimes mais recorrentes. Também foram solicitadas 102 medidas protetivas de urgência, o que representa, em média, uma concessão a cada três dias. Para Rubens, apesar de os números não apresentarem crescimento expressivo, seguem sendo elevados e exigem atenção constante, lembrando que muitas vítimas ainda optam apenas pela medida protetiva, sem formalizar representação criminal.
Mais números
No campo operacional, a Polícia Civil cumpriu 20 mandados de busca e apreensão, sendo 17 em pontos de venda de drogas, resultado de operações voltadas ao combate ao tráfico. Também foram cumpridos 19 mandados de prisão ao longo do ano. De acordo com o delegado, essas ações contribuem diretamente para a manutenção dos índices de criminalidade em patamares considerados baixos, especialmente nos crimes contra a vida e nos furtos, que aparecem entre os mais registrados, ao lado das ameaças.
Em relação à produtividade interna, foram instaurados 182 inquéritos policiais e concluídos 171, encaminhados ao Judiciário. Rubens ressaltou que o desempenho poderia ser ainda maior se a delegacia contasse com um efetivo adequado, especialmente no cartório. Atualmente, a unidade dispõe de apenas um escrivão, quando já chegou a ter três, o que impacta diretamente na velocidade dos procedimentos e no atendimento às vítimas. O delegado também manifestou expectativa em relação ao concurso anunciado pelo Governo do Estado, defendendo que Rio Negrinho seja priorizada na distribuição de novos profissionais, diante da demanda existente.
“Todos os crimes são apurados, do furto simples ao homicídio e ao tráfico, mas com mais pessoal o tempo de resposta da polícia seria muito mais rápido”, afirmou. Rubens avaliou ainda que casos de grande repercussão registrados neste ano – como o episódio envolvendo a jovem Kessya Souza, de 18 anos, vítima de uma tentativa de feminicídio por parte do ex-namorado, de 23 anos, tiveram resposta rápida da polícia, com prisões em flagrante e investigações concluídas, reforçando a importância do trabalho integrado e da atuação técnica. O rapaz foi preso em flagrante e continua no presídio de São Bento do Sul desde outubro.





