Penitenciária de São Bento do Sul ganha fábrica da Ogochi e internos aprendem nova profissão

Oficina da Ogochi oferece qualificação, remuneração e a possibilidade de um recomeço

• Atualizado 5 dias atrás.

Internos já trabalham na empresa de confecção instalada na unidade (Foto: Jonei Schritki / A Gazeta)
Internos já trabalham na empresa de confecção instalada na unidade (Foto: Jonei Schritki / A Gazeta)
Internos já trabalham na empresa de confecção instalada na unidade (Foto: Jonei Schritki / A Gazeta)

O som das máquinas de costura começou a fazer parte da rotina da Penitenciária Industrial de São Bento do Sul. Mais do que o início de uma nova linha de produção, a instalação de uma unidade da Ogochi dentro da instituição representa a oportunidade de capacitação profissional, geração de renda e novas perspectivas para pessoas privadas de liberdade.

A oficina instalada na unidade começou a operar com 33 pessoas privadas de liberdade e deve ampliar gradualmente o número de trabalhadores nos próximos meses, fortalecendo uma das maiores iniciativas de trabalho prisional desenvolvidas em parceria com a iniciativa privada do estado. O projeto faz parte de uma parceria entre a empresa e a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri), fortalecendo um dos maiores projetos de trabalho prisional em parceria com a iniciativa privada em Santa Catarina.

Com 969 metros quadrados de área construída, o espaço é destinado à produção de camisetas polo da marca. Segundo o coordenador laboral da Penitenciária e policial penal de carreira, Fausto Costa, a estrutura foi planejada para futuras ampliações, podendo operar em dois turnos conforme a demanda da empresa.

A escolha da Ogochi ocorreu após avaliação do Governo do Estado, levando em consideração fatores como experiência em projetos semelhantes, capacidade operacional e histórico de contratação de egressos do sistema prisional. Atualmente, a empresa mantém atividades em sete unidades prisionais catarinenses e emprega mais de 1,1 mil pessoas privadas de liberdade em Santa Catarina. A expectativa é chegar a aproximadamente 1,3 mil trabalhadores ainda neste ano.

Além disso, um novo barracão já está em construção, custeado pela própria empresa, o que permitirá ampliar ainda mais as vagas de trabalho dentro da unidade prisional, com a possibilidade de incluir cerca de 300 internos nas atividades.

Trabalho que também reduz a pena
Além da remuneração mensal, os participantes recebem outro benefício previsto na Lei de Execução Penal: a remição da pena. A cada três dias trabalhados, um dia é descontado do tempo total de cumprimento da sentença. Os trabalhadores recebem salário mensal, sendo que metade do valor fica disponível para uso do interno, podendo ser destinado à família por meio do cartão pecúlio. Outros 25% são destinados ao fundo rotativo do Estado e os 25% restantes são depositados em uma poupança liberada somente após a saída do sistema prisional.

Segundo Fausto, o objetivo vai além de ocupar o tempo dentro da unidade. A proposta busca oferecer oportunidades reais de reinserção social. “Queremos manter o preso ocupado e dar uma esperança de ressocialização. Hoje, um costureiro é um profissional procurado na região. Quando ele sair daqui, poderá levar uma profissão, seja como costureiro ou mecânico de máquinas”, afirma.

Seleção rigorosa
Para participar das atividades, os internos passam por avaliação da Comissão Técnica de Classificação (CTC), formada pela direção da unidade, chefias de segurança e coordenadores. São considerados critérios como comportamento, relacionamento com outros internos, tempo de permanência na unidade e interesse em trabalhar.

Antes de iniciar as atividades, os participantes também passaram por treinamentos e integração promovidos pela empresa, recebendo orientações sobre segurança, funcionamento da fábrica e cultura organizacional.

Um dos trabalhadores, identificado apenas como João para preservar a identidade, conta que a experiência mudou sua rotina e sua visão de futuro. Sem experiência anterior na área, ele afirma que encontrou no trabalho uma oportunidade de recomeço. “Nunca tinha trabalhado com costura. Achei que seria mais fácil, mas, com força de vontade, a gente consegue aprender. Consigo ajudar minha esposa e, quando sair daqui, vou ter um dinheiro guardado para começar de novo”, relatou.

Segundo a direção da unidade, os impactos do projeto também ultrapassam os muros da penitenciária, movimentando serviços, fornecedores e a economia local, ao mesmo tempo em que amplia as oportunidades de reconstrução para quem busca uma nova trajetória após o cumprimento da pena.

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