No dia 2 de junho de 2025, um comboio vindo de Joinville marcou o início da ocupação da Penitenciária Industrial de São Bento do Sul. Os primeiros detentos chegaram à unidade recém-entregue à Polícia Penal, inaugurando uma nova fase após 22 anos sem presídio na cidade.
Um ano depois, a unidade abriga 533 detentos, vindos de diferentes regiões do estado e do país. Apenas 31 são naturais de São Bento do Sul. Há ainda internos do Rio Grande do Sul, Paraná, Pará, Brasília e Manaus. “Temos presos de várias partes do Brasil. O nosso estado recebe muitas pessoas que migram de outros estados”, explica o diretor Léo Feliciano.
A penitenciária passou por um longo processo de adaptação antes de receber os internos. A entrega oficial da obra ocorreu em setembro de 2024, após anos de construção e ajustes estruturais. Desde então, a ocupação foi feita de forma gradual, bloco por bloco. O Bloco C foi o primeiro a ser habitado, seguido pelo Bloco B. O Bloco A ainda está em fase de conclusão. A projeção da direção é que, após todas as adequações, a unidade alcance entre 650 e 700 detentos.
Além do sistema de alojamento, a unidade mantém atividades educacionais em funcionamento diário, com aulas de alfabetização, ensino fundamental, médio e até ensino superior. Dez detentos cursam graduação dentro do presídio, com acompanhamento remoto e provas presenciais. Segundo Feliciano, a educação é parte central do processo de ressocialização. “O retorno à sociedade é um processo lento, mas ele passa pela educação”, afirma.
O diretor também destaca que a unidade teve um primeiro ano considerado estável, sem registros de ocorrências graves, apesar de episódios pontuais controlados conforme protocolo de segurança.
A chegada da penitenciária também representou uma mudança na dinâmica da cidade, que, segundo a direção, já passou pela fase inicial de resistência e hoje convive de forma mais natural com a unidade prisional.



