A história de São Bento do Sul se confunde com a trajetória dos padres dehonianos. A Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus completa 120 anos de presença no município, deixando marcas profundas na formação religiosa, social e cultural da cidade. Igrejas construídas, comunidades fortalecidas e uma espiritualidade marcada pela proximidade com o povo são alguns dos legados deixados ao longo de mais de um século.
“Não tem como falar da história de São Bento do Sul sem falar dos padres dehonianos”, costuma afirmar o pároco da Paróquia Puríssimo Coração de Maria, padre Luciano Toller. A frase resume a importância da congregação, que chegou ao município em 1904 e garantiu, pela primeira vez, uma presença sacerdotal contínua na cidade.
Segundo o padre Odilo Antonio Leviski, os dehonianos surgiram em 1878, na França, quando o padre francês João Leão Dehon fundou a congregação com o propósito de servir ao Reino do Coração de Jesus. Atualmente, a congregação está presente em mais de 40 países. “Cultivamos a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e, sobretudo, a presença junto ao povo. Estar com as pessoas, viver em comunidade e oferecer atendimento contínuo é uma marca forte dos dehonianos”, explica.
A ligação com São Bento do Sul teve início oficialmente em 1904, quando a congregação passou a atuar também em Brusque, sendo estas as duas primeiras cidades do Sul do Brasil a receberem os sacerdotes. O primeiro pároco nomeado foi Gabriel Lux, com atuação inicial de José Foxius. Já em 1906, o próprio padre Dehon visitou a cidade e deixou registros elogiosos sobre a comunidade e a igreja da época.
A chegada dos dehonianos foi decisiva para a consolidação da vida religiosa local. Foram eles que construíram a primeira Igreja Matriz, dedicada inicialmente a São Bento. Por isso, a Paróquia Puríssimo Coração de Maria ficou conhecida como a “mãe” de todas as igrejas do município e também das cidades vizinhas, como Campo Alegre e Rio Negrinho, que à época dependiam da paróquia são-bentense.
Outro marco importante ocorreu na década de 1950, quando o padre Fidélis Tomelin iniciou a construção da atual Igreja Matriz, dedicada ao Puríssimo Coração de Maria. Hoje, a paróquia é a única do município ainda confiada à Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, embora esteja sob a jurisdição da Arquidiocese de Joinville.
Entre os símbolos mais característicos dos dehonianos está a cruz utilizada pela congregação, que representa amor e reparação. Suas formas arredondadas e o coração aberto no centro simbolizam a missão de aliviar o sofrimento humano. Em São Bento do Sul, um monumento com essa cruz foi erguido ao lado da Igreja Matriz para marcar os 100 anos da presença dos padres no município.
Atualmente, o legado é mantido pelos padres Luciano Toller, Anderson Viana, Odilo Antonio Leviski e Nelson Tachini, responsáveis pelas celebrações, atendimentos pastorais e demais serviços à comunidade.
Carisma, força e espiritualidade
Desde fevereiro de 2022 à frente da paróquia, o padre Luciano tem se destacado pelo resgate histórico aliado à inovação. Apaixonado pela história local, ele tem promovido ações que valorizam a memória dos imigrantes e aproximam diferentes gerações da Igreja, inclusive por meio das redes sociais. “Inovação sem tradição não cria raiz, e tradição sem abertura à inovação não resiste”, afirma.
As comemorações pelos 120 anos incluíram ações simbólicas, como o plantio de duas oliveiras no Bosque São Bento, representando o povo e os sacerdotes ao longo da história. O bosque, inaugurado em julho, tornou-se um espaço de encontro, oração e convivência comunitária, idealizado pelo padre Luciano com apoio da comunidade e de voluntários.
Para os próximos meses, o espaço será ampliado e, em 2026, a paróquia dará início à construção de uma nova residência para os padres, além de secretaria e capela mais próximas da Igreja Matriz. O prédio atual será destinado à locação, garantindo novos usos ao patrimônio histórico.






