A disputa pelas duas vagas de Santa Catarina no Senado mudou de cenário nas últimas semanas. Depois de aparecer numericamente na terceira posição na primeira pesquisa Quaest divulgada durante a campanha, Carol De Toni (PL) passou a registrar o maior percentual numérico em quatro levantamentos recentes realizados por institutos diferentes.
A sequência começou com a AtlasIntel, em pesquisa contratada pelo Grupo ND, continuou com a Neokemp e a Real Time Big Data e voltou a se repetir neste fim de semana com o Instituto Veritá. Os institutos trabalham com metodologias e formas de apresentação diferentes, e os percentuais não devem ser comparados diretamente entre si. O dado comum aos quatro levantamentos é que Carol aparece com o maior percentual numérico na disputa pelo Senado.
A mudança chama atenção quando comparada ao cenário registrado no início da campanha. Na pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto, Carol aparecia com 12% na soma das intenções de primeiro e segundo votos, numericamente na terceira posição. Pela margem de erro de três pontos percentuais, estava tecnicamente empatada com o segundo colocado.
Mas havia outro dado naquele levantamento que ajudava a dimensionar o espaço que a candidatura ainda tinha para crescer ao longo da campanha: 65% dos entrevistados afirmavam não conhecer Carol De Toni. Ou seja, mesmo depois de dois mandatos como deputada federal e de ocupar posições de destaque em Brasília, uma parcela expressiva do eleitorado catarinense ainda não tinha uma opinião formada sobre seu nome.
Pouco mais de duas semanas depois, o cenário já era diferente. Na pesquisa AtlasIntel, divulgada em 10 de setembro, Carol registrou 28,4% no consolidado dos dois votos, aparecendo na primeira posição numérica. O levantamento ouviu 1.211 eleitores entre os dias 4 e 9 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.
Na sequência, a Neokemp registrou movimento semelhante. Carol alcançou 49,9% na soma do primeiro e do segundo votos e novamente apareceu numericamente à frente. Como cada eleitor catarinense poderá escolher dois candidatos ao Senado, levantamentos que apresentam a soma dos dois votos podem totalizar até 200%. Foram entrevistados 1.008 eleitores entre os dias 10 e 12 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.
O terceiro levantamento da sequência foi divulgado em 17 de setembro. Na Real Time Big Data, Carol registrou 24%, mais uma vez com o maior percentual numérico, contra 20% de Esperidião Amin e 20% de Carlos Bolsonaro. Nesse levantamento, a margem de erro de dois pontos percentuais coloca os três primeiros nomes em situação de empate técnico. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre os dias 12 e 16 de setembro.
Agora, a pesquisa do Instituto Veritá amplia a sequência. Divulgado em 19 de setembro, o levantamento mostra Carol De Toni com 50,3% das intenções de voto consolidadas para o Senado. Carlos Bolsonaro aparece com 46,4% e Esperidião Amin com 31,6%.
A pesquisa Veritá ouviu 1.525 eleitores entre os dias 14 e 19 de setembro, por meio de ligações para telefones celulares, e tem margem de erro estimada em 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o número SC-02704/2026.
Com isso, AtlasIntel, Neokemp, Real Time Big Data e Veritá — quatro institutos diferentes — registraram Carol com o maior percentual numérico em seus levantamentos recentes para o Senado catarinense. A repetição do resultado é relevante como descrição do momento da disputa, embora as diferenças metodológicas impeçam tratar os percentuais como uma única série histórica.
A evolução ocorre em um momento em que a deputada também passou a ser mais apresentada ao eleitor catarinense. Natural de Chapecó e em seu segundo mandato na Câmara, Carol já havia conquistado projeção no cenário político nacional nos últimos anos. Em 2024, assumiu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), um dos principais colegiados da Câmara. No ano seguinte, chegou à liderança da Minoria na Casa.
A pesquisa Quaest de agosto, no entanto, revelou um contraste: a visibilidade alcançada no debate político nacional ainda não havia se convertido no mesmo grau de conhecimento entre os eleitores do próprio Estado.
É justamente esse espaço que a campanha passou a ocupar com mais intensidade nas últimas semanas. Carol ampliou a presença nas diferentes regiões de Santa Catarina e passou a apresentar com maior frequência sua trajetória política, a atuação no Congresso e a prestação de contas do mandato no Estado.
As pesquisas disponíveis não permitem afirmar que um único fator explique a mudança. Os levantamentos não perguntaram aos eleitores quais razões determinaram a escolha por determinado candidato e, como toda pesquisa eleitoral, representam retratos do momento, não antecipações do resultado das urnas.
Ainda assim, a sequência permite observar uma mudança objetiva na posição numérica de Carol dentro da disputa.
Em menos de um mês, a deputada passou de uma terceira colocação numérica, em um cenário no qual quase dois terços dos entrevistados ainda diziam não conhecê-la, para o maior percentual numérico em quatro levantamentos recentes de quatro institutos diferentes.
AtlasIntel, Neokemp, Real Time Big Data e, agora, Veritá mostram a mesma característica: Carol De Toni aparece numericamente à frente.
Mais do que o resultado isolado de uma pesquisa, setembro registra uma sequência de quatro levantamentos em que Carol ocupa a primeira posição numérica — um dado que marca uma nova fase da disputa pelas duas vagas catarinenses no Senado.





