A hipertensão arterial é uma condição em que o sangue exerce pressão de forma contínua contra as paredes dos vasos sanguíneos. Trata-se de uma doença multifatorial, mas, na maioria dos casos, há um componente genético que contribui para o aumento da pressão. Segundo a cardiologista Silvia Rêgo, a hipertensão é um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil e no mundo.
Entre os principais fatores de risco estão o consumo excessivo de álcool, o tabagismo, a ingestão elevada de sal, o sedentarismo, a obesidade e o diabetes. Outras doenças também podem contribuir para o aumento da pressão arterial. “E o que mais preocupa é que muitos pacientes são assintomáticos, muitas vezes nem sabem que têm hipertensão arterial”, afirmou a médica.
De acordo com estimativas citadas pela cardiologista, cerca de 30% da população é hipertensa, percentual que pode chegar a 60% entre idosos. A doença pode se desenvolver de forma silenciosa ao longo dos anos e torna-se mais comum após os 35 anos. Quando surge antes disso, pode indicar causas secundárias que exigem investigação médica.
Apesar de ser silenciosa em muitos casos, a hipertensão pode apresentar sintomas em algumas situações, tanto de elevação quanto de queda da pressão. “Muitas vezes o paciente pode sentir dor de cabeça, aperto no peito, sensação de calor e, às vezes, na queda de pressão, tontura, sensação de desmaio e sudorese”, explicou.
Classificação e medição
Em setembro de 2025, a classificação da pressão arterial no Brasil foi atualizada. Segundo a cardiologista, a pressão considerada normal é aquela com valor sistólico abaixo de 120 mmHg e diastólico abaixo de 80 mmHg. “Hoje considera-se como pré-hipertensão quando a pressão sistólica está entre 120 e 139 e a diastólica entre 80 e 89. Acima de 140 por 90 já é considerado estágio 1 de hipertensão arterial sistêmica”, explicou.
Silvia destaca que uma única medição não é suficiente para diagnosticar hipertensão. “Existem muitos fatores que podem influenciar aquela medida naquele momento”, disse. Ela também cita o fenômeno da “hipertensão do jaleco branco”, quando a pressão sobe no consultório, mas permanece normal em casa, e a hipertensão mascarada, quando ocorre o contrário.
Para quem mede a pressão em casa, alguns cuidados são essenciais. O aparelho deve estar calibrado, o paciente precisa estar sentado, com o braço apoiado na altura do coração e em repouso por pelo menos cinco minutos antes da aferição.
O estresse também é um fator relevante no aumento da pressão arterial. “Ele aumenta substâncias que influenciam na pressão da parede dos vasos sanguíneos”, explica a cardiologista. Em alguns casos, o tratamento da ansiedade pode contribuir para a normalização da pressão.
Tratamento
O tratamento da hipertensão exige acompanhamento contínuo e individualizado. “Muitas vezes o paciente vai precisar da medicação por tempo indeterminado”, afirma Silvia. No entanto, mudanças no estilo de vida podem trazer melhorias significativas. “Quando o paciente perde peso, deixa o sedentarismo, para de beber e fumar, ele melhora toda a dinâmica cardiovascular e pode até não precisar mais de medicação”, explica. Ainda assim, cada caso deve ser avaliado individualmente.
A interrupção do tratamento sem orientação médica pode trazer riscos graves. “O paciente pode ter um pico hipertensivo e desenvolver AVC”, alerta a médica. A hipertensão descontrolada também pode causar sobrecarga cardíaca e insuficiência cardíaca. Além do coração, outros órgãos podem ser afetados, como rins, cérebro e olhos. “O corpo é todo junto”, destaca a cardiologista, citando o risco de retinopatia hipertensiva, que pode levar à perda da visão.
Silvia reforça a importância de buscar avaliação médica diante de sintomas como dor no peito, cansaço excessivo ou alterações incomuns no organismo. Pessoas com histórico familiar e hábitos de risco devem redobrar a atenção.
A recomendação é iniciar check-ups cardiológicos a partir dos 35 ou 40 anos. Em casos de maior risco genético, o acompanhamento deve começar ainda antes dos 30 anos. “Se você tem antecedente familiar, esse check-up às vezes tem que ser iniciado até antes dos 30 anos”, finaliza a especialista.



