Nova lei do governo do Estado dificulta venda de produtos de pequenos produtores rurais de SC

Objetivo é ampliar a regularização sanitária e permitir que produtos de origem animal, inspecionados em nível municipal, possam ser comercializados em todo o território catarinense

• Atualizado 13 dias atrás.

Proposta trata da criação do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (SUSAF-SC) (Foto: Divulgação)

Um projeto de lei encaminhado pelo Governo de Santa Catarina à Assembleia Legislativa (Alesc) tem gerado debate entre parlamentares e representantes do setor produtivo. A proposta trata da criação do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (SUSAF-SC).

Segundo o governo, o objetivo da medida é ampliar a regularização sanitária e permitir que produtos de origem animal, inspecionados em nível municipal, possam ser comercializados em todo o território catarinense.

No entanto, o projeto recebeu críticas de deputados estaduais, especialmente em relação às exigências previstas para adesão ao sistema. O deputado Fabiano da Luz (PT) afirmou que as regras podem dificultar a participação de pequenos produtores. “Quem não atender às exigências poderá ter dificuldades para comercializar seus produtos no estado, o que pode impactar diretamente a agricultura familiar”, declarou.

Dados da Epagri apontam que a burocracia já é um dos principais entraves para agroindústrias familiares em Santa Catarina. De acordo com o levantamento, 49,2% dos produtores citam a burocracia como dificuldade para regularização, enquanto 45,4% relatam a ausência de serviços de inspeção nos municípios e 40,8% destacam os custos elevados de adequação.

Entre os pontos debatidos está a exigência de que os produtores estejam vinculados a municípios que possuam serviço de inspeção estruturado. Na prática, isso pode limitar a participação de agroindústrias localizadas em cidades que ainda não contam com essa estrutura.

Outro aspecto levantado durante a discussão é que parte das regras do sistema deverá ser definida posteriormente por meio de regulamentação, o que, segundo parlamentares, pode gerar insegurança jurídica.

Como forma de ajuste, foi apresentada uma emenda ao projeto com o objetivo de garantir que produtores artesanais possam continuar comercializando seus produtos em âmbito municipal, estadual e nacional.

A proposta segue em tramitação na Alesc, onde ainda será analisada pelas comissões antes de ir a plenário.

Confira os principais projetos no projeto do governo do Estado:

  • Ampliação das exigências sanitárias e técnicas para adesão ao sistema
  • Necessidade de investimentos em adequações estruturais
  • Dependência de serviços municipais de inspeção
  • Possível impacto na participação de pequenos produtores
  • Definição de regras complementares por regulamentação futura

O tema deve continuar sendo discutido nas próximas semanas entre governo, deputados e representantes do setor.

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