A mulher de 37 anos que ganhou repercussão nacional após se passar por uma adolescente de 12 anos e viver por cerca de 14 meses com uma família em Joinville também é suspeita de aplicar golpes semelhantes em outros estados brasileiros. Um dos casos ocorreu no Paraná, onde uma vítima revelou ter criado um vínculo tão forte com a falsa adolescente que chegou a tatuar o nome que ela utilizava na época.
Amanda Maria Souza de Oliveira se apresentava como “Emily”, afirmava ter 13 anos e dizia sofrer de uma doença terminal. A aproximação aconteceu em 2021, durante encontros virtuais de um grupo de oração criado durante a pandemia. De acordo com a vítima, a suposta adolescente contava histórias que sensibilizavam os participantes do grupo. Em uma delas, dizia desejar a própria morte para não continuar sendo um peso para a mãe, que supostamente passava os dias em hospitais por causa de seu tratamento. A situação gerou comoção entre os integrantes, que passaram a oferecer apoio emocional.
Com o passar do tempo, Amanda teria pedido para que a vítima se tornasse sua madrinha de batismo e, posteriormente, permitisse que ela a chamasse de mãe. O vínculo se fortaleceu a ponto de a vítima tatuar o nome “Emily” no pulso. Após descobrir a verdadeira identidade da mulher, a tatuagem foi removida.
A farsa começou a ser desvendada quando Amanda passou a solicitar dinheiro aos integrantes do grupo. Desconfiados, eles iniciaram buscas junto aos hospitais citados por ela, mas não encontraram qualquer registro compatível com a história apresentada.
Segundo a vítima, a confirmação veio durante uma chamada de vídeo. Uma das pessoas do grupo pediu para conversar com uma suposta tia da adolescente. Quando a mulher apareceu na tela, os participantes perceberam que se tratava da própria Amanda, interpretando o episódio como a prova definitiva do golpe. O grupo registrou um boletim de ocorrência em 2022. Um inquérito chegou a ser instaurado, mas, na época, as autoridades não conseguiram localizar a golpista.
Ré em Santa Catarina
Em Santa Catarina, Amanda foi denunciada pelo Ministério Público pelos crimes de falsa identidade e estelionato. A denúncia foi aceita pela Justiça e ela passou oficialmente à condição de ré no processo que apura os fatos ocorridos em Joinville.
Segundo o Ministério Público, ela teria obtido vantagem financeira ao ser integralmente sustentada pela família que a acolheu, incluindo despesas com moradia, alimentação, transporte, medicamentos de alto custo e até uma festa de aniversário. Presa preventivamente desde o início de junho, Amanda completou 38 anos na última quarta-feira (10) dentro do Presídio Feminino de Joinville.
A defesa solicitou a realização de um exame de sanidade mental, pedido que foi aceito pela Justiça. A perícia está marcada para o dia 26 de junho e será realizada pela Polícia Científica. Até a conclusão do laudo, o processo permanecerá suspenso.
Com informações do portal NSC Total.



