Aos 51 anos, o são-bentense Paulo Cesar Rauen afirma que aguarda há quatro anos uma cirurgia para controlar os tremores provocados pelo Parkinson. Segundo ele, o procedimento chegou a ser marcado em Florianópolis, mas um erro no encaminhamento feito pela Secretaria de Saúde o levou ao Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra, onde a operação não poderia ser realizada. Ele relata que perdeu a oportunidade e precisou retornar à fila de espera.
A Prefeitura informa que não consta no sistema registro de cirurgia previamente agendada em Florianópolis que tenha sido cancelada ou perdida por encaminhamento equivocado para outro município. Paulo convive com a doença há cerca de 12 anos. Os primeiros sinais apareceram por volta de 2014, e o diagnóstico veio em 2016. Aos poucos, os sintomas se agravaram e passaram a interferir em atividades simples do dia a dia.
Um dos principais problemas são os tremores. Na hora de comer, por exemplo, ele precisa redobrar a atenção. “Eu preciso cuidar para não derramar, mas pouquinha coisa eu derramo”, lamenta. A doença também afeta os movimentos das pernas. Paulo chegou a ter dificuldades para caminhar e precisou de um andador, conseguido pela esposa.
Ele fazia fisioterapia duas vezes por semana, mas interrompeu as sessões por considerar os exercícios muito pesados para sua condição. Desde então, tenta manter uma rotina de exercícios em casa. “Tem dias que estou forte, tem dias que estou fraco. Tem dias que não consigo nem pegar o elástico para fazer com a perna”, relata.
Espera pela cirurgia
Segundo Paulo, o encaminhamento para a cirurgia começou com o neurologista Fernando de Souza, que o acompanha e auxiliou na descoberta da doença. Em 2023, ele acreditava que finalmente passaria pelo procedimento em Florianópolis. Conta que recebeu orientações sobre a operação e o período posterior, quando retornaria para casa e iniciaria a recuperação. “Eu estava tão feliz, pensando que faria a cirurgia”, lembra.
Ao chegar à unidade em Mafra, porém, Paulo diz que descobriu que a operação não seria realizada ali. Desde que retornou à fila, afirma não conseguir saber quando será chamado. “Eu nem olho mais”, diz sobre a posição na espera. Ele relata que, quando a possibilidade de atendimento parece se aproximar, sua posição muda e outras pessoas aparecem à frente.
A expectativa é que a cirurgia possa reduzir em até 70% os tremores, conforme afirma Paulo. Com o controle dos sintomas e a continuidade dos exercícios, ele acredita que teria mais autonomia. “Eu seria uma pessoa mais sã. Assim eu tenho as minhas dificuldades”, afirma.
O que diz a Prefeitura
A Secretaria Municipal de Saúde informa que verificou a situação e não encontrou registro de cirurgia previamente agendada em Florianópolis que tenha sido cancelada ou perdida por encaminhamento equivocado.
De acordo com a pasta, Paulo tem solicitações cadastradas no Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) para consultas em neurologia, fonoaudiologia, cardiologia e neurocirurgia. Os encaminhamentos seguem a classificação de prioridade e a ordem estabelecida pelo sistema. “Como os atendimentos são regulados pelo Sisreg, o município não tem autonomia para alterar a ordem da fila”, diz em nota.
A pasta acrescenta que o gabinete do secretário municipal de Saúde está à disposição do paciente para detalhar os encaminhamentos e esclarecer dúvidas sobre as solicitações cadastradas.
Confira o relato de Paulo sobre a espera por exames e a busca por assistência social na edição impressa desta quinta-feira (1º).





