Médico de São Bento do Sul é premiado na Alemanha por pesquisa inovadora sobre AVC

Guilherme Quint é reconhecido por projeto inovador que combina IA e assistência médica

• Atualizado 9 dias atrás.

Guilherme destaca a valorização da ciência e do cuidado humano (Foto: Divulgação)

Aos 34 anos, o são-bentense Guilherme Alexandre Quint acaba de ser contemplado na Alemanha com o Wolfbauer-Stiftung Preis, prêmio concedido por uma entidade filantrópica que apoia projetos de saúde, pesquisa e inovação na área médica. “Todos os anos, a fundação seleciona e premia pesquisas relevantes desenvolvidas dentro do Hospital Universitário de Augsburg”, conta ele, referindo-se à unidade de saúde em que faz residência médica em Radiologia. “O hospital é gigante, com 1,7 mil leitos. Augsburg fica a cerca de 40 minutos de Munique, na Baviera”, explicou, contando que se mudou para o território alemão em 2022.

“Meu projeto foi premiado porque propõe o uso de parâmetros avançados da tomografia computadorizada para avaliar se o paciente que está fazendo uma tomografia de crânio com suspeita de AVC (Acidente Vascular Cerebral, popular ‘derrame’) possui anemia, o que já foi comprovado que está correlacionado a uma menor ou mais lenta recuperação do paciente”, relatou.

“A ideia foi provar se isso era possível – e eu pude comprovar – para, no futuro, desenvolver um mecanismo de Inteligência Artificial que possa detectar automaticamente se o paciente tem anemia ou não, e já emitir um alerta para que o diagnóstico e o tratamento sejam mais rápidos e acurados. O comitê avaliou que se trata de uma inovação com potencial real de melhorar o atendimento de emergência, o que, para mim, já é motivo de enorme satisfação”, completou.

Honra e surpresa
Guilherme afirmou que foi uma honra “e, sinceramente, uma grande surpresa” receber o prêmio da Fundação Wolfbauer Stiftung. “Apesar de ter cidadania alemã por parte da minha família, que, inclusive, sempre manteve contato com os parentes que permaneceram aqui, eu me considero muito mais brasileiro do que alemão, obviamente”, disse.

Fazendo doutorado no país europeu, atividade que o levou a uma imersão maior na pesquisa científica, o profissional enfatizou a conquista obtida. “Ser reconhecido aqui, concorrendo com pesquisadores alemães e profissionais do mundo inteiro, em um hospital que produz tanta pesquisa de ponta, é motivo de muito orgulho. Sinto que estou representando o Brasil de alguma forma, e isso me deixa extremamente feliz”, declarou.

Laços e intercâmbio
Guilherme morou em São Bento do Sul apenas em seu primeiro ano de vida. “Meu pai recebeu uma oportunidade de trabalho em Joinville. Mesmo assim, passávamos muitos finais de semana em São Bento, junto da família, com meus avós, tios e primos, e por isso meu laço com a cidade é bem forte”, contou, explicando que começou o curso de Medicina na Universidade Federal (UFSC) – em Florianópolis –, em 2010.

Durante a graduação, ele recebeu uma bolsa de intercâmbio para morar e estudar em Londres, por um ano. “Essa primeira experiência acadêmica fora do Brasil foi fundamental, pois, além de ampliar minha visão, despertou em mim o desejo de, no futuro, realizar minha residência médica no exterior”.

Sagrada Família
Logo após a formatura, ele obteve um dos seus primeiros empregos no Hospital e Maternidade Sagrada Família, em São Bento do Sul, na emergência pediátrica. “Foi muito simbólico para mim trabalhar como médico no mesmo hospital em que nasci. Depois, atuei como médico de família em Piçarras, enquanto estudava para as provas de revalidação do diploma médico na Alemanha”, revelou.

As provas em questão são a “Fachsprachprüfung” (de vocabulário alemão médico) e a “Kenntnisprüfung” (que todos os médicos formados na Alemanha precisam fazer – algo semelhante ao exame de ordem da OAB para os advogados no Brasil). “A Kenntnisprüfung é especialmente desafiadora, pois é uma prova oral de cerca de seis horas, cobrindo conhecimentos médicos gerais, totalmente em alemão”, detalhou.

“Bem diferente”
O médico disse que trabalhar na Alemanha é “bem diferente” em comparação ao Brasil. “A estrutura hospitalar aqui é, de fato, mais robusta, desde equipamentos até equipes multidisciplinares. Nós temos acesso à tecnologia e aos melhores equipamentos e não sofremos com a falta de insumos, o que acontece muito no Brasil”, exemplificou.

No Brasil, segundo ele, é comum o médico ter que “fazer malabarismo” por falta de medicação, tratamento especializado ou filas gigantes para realização de alguns exames. “Mas sempre destaco que, no Brasil, existe algo muito valioso: a relação extremamente humana e acolhedora com o paciente. Cada país tem suas qualidades, e a experiência de trabalhar nos dois lugares é muito enriquecedora para mim”, ponderou.

Saudade
“Além da família e da casa dos meus avós, sinto muita saudade do clima da cidade e, confesso, do pão da Padaria Pimpão, que era uma tradição nos meus finais de semana”, comentou Guilherme, que pretende fazer uma subespecialização assim que concluir a residência. “Meu objetivo é seguir carreira acadêmica e contribuir para integrar tecnologia, pesquisa e prática clínica na radiologia”, declarou, encerrando: “A Medicina sempre me trouxe a oportunidade de unir duas coisas que valorizo muito: ciência e cuidado humano”.

Últimas notícias

Quatro picolés de manga em um prato com gelo decorado com folhas de hortelã
Daiane-Simao-da-Costa-feminicidio-balneario-picarras
Aldo e sua mãe Barbara - Jonei (1)
Mulher com cabelo curto liso, usando camisa verde e calça bege liderando reunião de equipe em escritório
PREVISÃO - FOTO Elvis Lozeiko

Mais lidas

Carolina - Boston
UPA - Christian Hacke (10)
Paola alta
Notas de falecimento (site) (5)
WhatsApp Image 2026-01-16 at 17.55

Notícias relacionadas