Sexta-feira, 4 de abril de 2025

Médico de São Bento alerta: câncer de intestino cresce entre os mais jovens e mata em silêncio

Doença exige atenção redobrada aos sintomas e fatores de risco

• Atualizado 14 dias atrás.

O câncer colorretal, ou câncer de intestino – de cólon e reto –, está entre os que mais atingem a população mundial. Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), é o segundo com maior incidência no Brasil, tanto entre homens quanto entre mulheres, atrás apenas do câncer de próstata e do de mama.

Segundo o médico gastroenterologista Hoiti Okamoto, a cada ano do triênio 2023/25 serão cerca de 45.600 novos casos de câncer do intestino, o que corresponde a 10% do total de tumores diagnosticados no Brasil, sendo que a incidência está entre os mais jovens, com idade superior a 45 anos. “Por isso temos a campanha 45+, onde buscamos fazer o diagnóstico nas pessoas com mais de 45 anos”, citou.

Ainda segundo o INCA, há uma projeção para o quinquênio 2026/2030 prevendo que a probabilidade de óbitos prematuros por câncer de intestino em pessoas com idade entre 30 e 69 anos tenha um aumento de 10%, colocando-o entre os que mais matam no país, junto com os cânceres de pulmão, próstata e mama.

Engana-se quem acha que a maior incidência desse tipo de câncer está nas classes mais baixas e nos centros menos desenvolvidos. “É justamente o contrário, pois Florianópolis está em primeiro lugar entre as capitais no registro de casos”, revelou Okamoto. Segundo ele, isso ocorre devido ao alto consumo de alimentos industrializados, o que é mais comum entre pessoas com maior poder aquisitivo e em cidades mais desenvolvidas, onde dificilmente há um quintal com alimentos mais naturais.

No Brasil, a incidência do câncer de intestino é de cerca de 10%, sendo 9,2% para homens e 9,7% para mulheres. Já a taxa para cada 100 mil pessoas fica em 12,43 para homens e 11,06 para mulheres. Em Santa Catarina, esse índice sobe para 29,48 para homens e 22,01 para mulheres. Já em Florianópolis, o índice sobe para 34,76 para homens e 27,15 para mulheres a cada 100 mil pessoas. “Além da alimentação, podemos destacar também que, aqui em nosso estado, são realizados mais exames para identificar a doença”, afirmou o médico.

O ideal, para o médico, é que o câncer de intestino seja tratado no Brasil como é feito na França, onde todos com mais de 45 anos realizam o exame gratuitamente, com recursos do governo. “Eles economizam muito com esse sistema, pois, se você diagnostica a doença cedo, o tratamento é muito mais barato”, frisou. “Mas, infelizmente para nós, esse sistema de diagnóstico não é viável financeiramente para nossos governos”, lamentou. O exame para detectar a doença é a colonoscopia, que necessita sedação. “Então são dois profissionais médicos, mais toda a instrumentação necessária, o que encarece o exame”, complementou Okamoto.

Sintomas
O câncer no intestino é um tumor maligno que se desenvolve principalmente no intestino grosso, como cólon, reto e ânus, levando ao surgimento de sintomas como diarreias frequentes, sangue nas fezes (anemia) ou dor abdominal. Além disso, embora seja mais raro, esse tipo de câncer pode surgir também no intestino delgado.

O câncer de intestino é mais comum em pessoas com mais de 45 anos e pode surgir a partir da evolução de pólipos intestinais, que são aglomerados de células que se formam na parede do intestino e que, caso não sejam removidos, podem transformar-se em lesões malignas. Dessa forma, é importante que, na presença de sintomas de câncer de intestino, o proctologista ou gastroenterologista seja consultado para que sejam feitos exames, como a colonoscopia, a fim de identificar o tipo de tumor e iniciar o tratamento mais adequado.

Os principais sintomas de câncer de intestino são sangue nas fezes, dor abdominal, diarreia ou prisão de ventre, sensação de peso ou dor na região anal, cansaço frequente, anemia e perda de peso sem causa aparente, principalmente em pessoas com mais de 50 anos de idade. “Se a pessoa tem mais de 45 anos, tem histórico familiar de câncer ou apresenta um desses sintomas, deve procurar um médico especialista”, frisa o Dr. Okamoto.

Fatores de risco
Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento do câncer de intestino, sendo os principais: tabagismo, obesidade, consumo de bebidas alcoólicas e idade (sendo mais frequente em pessoas com mais de 45 anos). Além disso, histórico anterior de câncer de intestino ou pólipos intestinais, histórico familiar de câncer no intestino, doença inflamatória intestinal e alimentação rica em gordura, carne vermelha e alimentos processados, com pouca fibra, também elevam o risco.

O risco é maior em pessoas que estão acima do peso ideal, não praticam atividade física com regularidade e possuem hábitos alimentares inadequados, como dieta rica em gordura e pobre em fibras.

Março Azul
O mês de março foi definido como a data para divulgar a doença pelo então presidente norte-americano Bill Clinton, no início dos anos 2000. “Há 30 anos, os americanos já haviam percebido o aumento nos números dessa doença e iniciaram a prevenção”, destacou o médico.

Em São Bento, além das matérias jornalísticas e campanhas de distribuição de material impresso, foi decidido iluminar a Igreja Matriz Puríssimo Coração de Maria, no Centro, com luz azul. Nas proximidades da antiga Cruz Vermelha, na descida da Matriz, foi colocada uma faixa explicando o motivo das torres da igreja estarem iluminadas com essa cor. O médico deixou, inclusive, um agradecimento especial ao Padre Luciano Toller por autorizar a iluminação azul nas torres da Igreja Puríssimo Coração de Maria, fazendo alusão à campanha.


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