Uma ocorrência envolvendo dois estudantes durante uma aula de Educação Física na Escola Municipal Lúcia Tschoeke, no bairro Brasília, motivou o registro de um Boletim de Ocorrência e uma representação ao Ministério Público. A mãe de um dos alunos afirma que a criança foi alvo de agressões e ameaças durante o episódio e que, desde então, o estudante e a irmã, que também frequenta a unidade, deixaram de comparecer às aulas por medo.
Segundo relato apresentado pela mãe, com base em informações repassadas por estudantes que presenciaram a situação, um dos alunos estava alterado e empurrava colegas durante a atividade. Ao ser advertido, teria arremessado uma bola contra outro estudante e, na sequência, utilizado uma barra de ferro que estava próxima à arquibancada para tentar agredi-lo, atingindo-o de raspão. Ainda conforme a responsável, o aluno teria perseguido o colega fazendo ameaças, até que outros estudantes acionaram a direção da escola, que conduziu ambos para conversar.
A mãe do estudante disse que não foi comunicada pela escola sobre a ocorrência e que, ao procurar a direção para buscar esclarecimentos, a principal alternativa apresentada foi a mudança de turno do filho, o que implicaria a perda de atividades realizadas no contraturno, como a participação na banda escolar. A família também relata que solicitou acesso às imagens das câmeras de monitoramento da escola, mas foi informada de que os equipamentos não estavam funcionando no momento do ocorrido.
Diante da situação, foi registrado um Boletim de Ocorrência e encaminhada uma representação ao Ministério Público, solicitando a apuração dos fatos e medidas que garantam a segurança dos estudantes. Segundo a família, após esses procedimentos não houve novos retornos por parte da escola.
O que diz a Secretaria
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Educação informou, por meio do Departamento de Ensino, que a unidade escolar e a pasta “vêm adotando medidas pedagógicas, preventivas e de acompanhamento desde o primeiro dia da ocorrência”. A Secretaria mencionou ainda que existem versões diferentes sobre alguns aspectos do caso e que a situação está sendo analisada “de forma técnica, imparcial e fundamentada, preservando os direitos de todos os estudantes envolvidos e buscando as medidas mais adequadas para garantir a segurança, o bem-estar e a continuidade do processo educativo”, diz a nota.
Em resposta aos questionamentos da reportagem, a Secretaria de Educação confirmou que as câmeras de monitoramento da escola estavam inoperantes no momento da ocorrência. Informou também que houve registro interno do caso em ata da unidade escolar e que os responsáveis pelos dois estudantes foram comunicados no mesmo dia. Sobre a mudança de turno, a pasta confirmou que a alternativa foi apresentada à família do estudante, mas afirmou que a proposta não foi aceita pela mãe.
A Secretaria informou ainda que foi realizada escuta especializada em relação ao caso, que o outro estudante continua frequentando normalmente as aulas e que as unidades da rede municipal seguem o Regimento Interno, que estabelece os procedimentos para situações de violência no ambiente escolar.
Identidade preservada
Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a reportagem preserva a identidade dos estudantes envolvidos e não divulga informações que possam permitir sua identificação.




