Entre linhas, tecidos e memórias, Mara Grossl carrega uma herança aprendida ainda na infância, ao lado da mãe, Iris, que também era costureira. Embora tenha trabalhado por anos na área administrativa, Mara nunca deixou de ajudar a mãe com pequenos trabalhos de costura.
A retomada do ofício aconteceu durante a pandemia, quando uma mudança profissional abriu espaço para que ela voltasse a se dedicar aos tecidos. O que começou com a produção de máscaras hoje se transformou em um trabalho voltado também à confecção de trajes para a Schlachtfest.
A relação com as roupas típicas começou quando Iris ainda era viva. “A mãe montava o traje e me dava para fazer as rendas, os botõezinhos e tal”, contou Mara. Depois, ela passou a confeccionar as saias e, aos poucos, ganhou confiança. “Eu nunca fiz curso de costura, nunca fiz curso nenhum. Minha melhor professora foi minha mãe”, afirmou.
Há quase cinco anos, Iris faleceu, mas continua presente no trabalho da filha. Mara guarda algumas peças feitas pela mãe e mantém as máquinas que herdou dela. “Ela faz falta todo dia, todo dia. Eu tenho as máquinas dela que eu comecei, estão todas guardadas”, disse, emocionada.
Produção para a Schlachtfest
Nas últimas semanas, a rotina de Mara tem sido dedicada principalmente à produção de saias, blusinhas e vestidos para a Schlachtfest. O processo envolve conversa com a cliente, medidas, montagem, provas, forro, acessórios e ajustes finais. “Se eu pegar um traje de manhã e termino ele à noite, num dia eu faço, mas tem todas essas etapas”, explicou.
Com a proximidade da festa, o trabalho se intensifica. “Eu estou chegando aqui às sete da manhã e eu não tenho hora pra sair. A hora que eu volto para casa é a hora que eu não enxergo mais, que o olho cansa e eu não consigo produzir”, contou.
Neste ano, os vestidos mais curtos e delicados estão entre os mais procurados, principalmente pelas mais jovens. Tons claros, salmão, rosa e bordô também aparecem entre as escolhas.
Mais do que produzir as peças, Mara encontra na costura uma forma de manter viva a memória da mãe. “Ela consegue me mostrar a dificuldade na roupa, por isso que eu converso muito com a minha mãe. E eu sei que ela tá sempre comigo aqui”, afirmou.





