Jardim Sensorial transforma rotina de crianças e promove inclusão em unidade de educação infantil de São Bento do Sul

Espaço estimula os sentidos, fortalece o desenvolvimento infantil e se torna referência de acolhimento para alunos da educação infantil

• Atualizado 1 meses atrás.

Espaço diverte e ensina ao mesmo tempo (Foto: Zuciane Peres / A Gazeta)

Há professores que marcam a vida de seus alunos, e alunos que marcam a vida de seus professores. É uma ligação que atravessa as salas de aula e fica registrada, especialmente quando existem educadores que realmente desejam fazer do ambiente escolar um lugar de acolhimento para os menores. É uma troca. E no Centro de Educação Infantil Municipal (CEIM) Algodão Doce, situado no bairro Serra Alta, o contexto se encaixa perfeitamente.

Os professores, literalmente, arregaçaram as mangas e construíram um “Jardim Sensorial” para que os alunos, do berçário ao maternal, tenham um espaço de acolhimento e de lembranças. Pelo nome do projeto, já é possível perceber do que se trata, ou seja, um espaço planejado para estimular os cinco sentidos: a visão, tato, audição, olfato e, em alguns casos, o paladar, por meio de materiais, texturas, sons, cores, aromas e elementos naturais.

O jardim, instalado logo na entrada do CEIM, foi pensado para todas as 186 crianças que frequentam a unidade, mas, principalmente, para as crianças atípicas. Isso porque, para muitas delas, como as do Transtorno do Espectro Autista (TEA), o espaço sensorial se torna um grande aliado no dia a dia. Conforme a professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE) do instituto, Flavia Linzmeyer, as crianças com TEA costumam apresentar sensibilidade sensorial, podendo reagir a sons, texturas e luzes.

Também podem enfrentar desafios na interação social, com dificuldades em se comunicar ou em manter contato com outras crianças, além de terem maior dificuldade na regulação emocional, o que pode resultar em crises ou sobrecarga sensorial. Por isso, em um ambiente preparado, elas encontram estímulos controlados que ajudam a organizar as sensações, promover o bem-estar e facilitar o desenvolvimento. “Porque o autismo é isso, ele precisa desse momento para se regular, e muito disso vem das sensações. Então, a criança busca o jardim para o autocontrole, porque ali ela tem um lugar para brincar, tem um lugar para sentir, tem água. É um espaço de diversão, mas também de autorregulação emocional”, explica.

Ao longo do ano, a professora já trabalha com os menores em sua sala preparada para o atendimento, com atividades específicas. Mas, percebendo a necessidade de algo a mais, foi a própria Flavia quem sugeriu a criação do Jardim Sensorial. Inclusive, o CEIM Algodão Doce é pioneiro no município em fazer um jardim sensorial, um espaço preparado com tanto carinho. E, quando se fala em carinho, foi exatamente isso que motivou a criação do projeto.

Jardim Sensorial
O jardim é dividido em estações de acordo com os sentidos, cada uma planejada para provocar uma experiência diferente nas crianças. Há espaços para explorar texturas com as mãos e os pés, pontos com aromas naturais das plantas, elementos sonoros que estimulam a audição e cores que chamam a atenção pela visão. Em algumas situações, até mesmo codornas são incluídas no espaço, permitindo que os pequenos tenham contato com os animais. Já no paladar, atividades específicas são realizadas em canteiros onde foram plantados alfaces e cenouras.

E, uma das partes favoritas das crianças é o espaço da água, acionado nos dias de calor. O contato com os jatos e respingos garante muitas risadas e momentos de pura alegria entre os pequenos. “Agora que começou a ficar mais quente, a gente tem um sistema de irrigação, em que a criança pode se molhar. A criança autista adora água, então é nítido como é prazeroso para ela passar e voltar, ficar sentindo a água”, menciona Flavia.

Inclusive, todos participam, há aqueles que vão sozinhos, no atendimento com a professora Flavia ou junto com a turma. E, graças ao Jardim Sensorial, a unidade foi premiada na última edição do Prêmio Educar, garantindo o terceiro lugar na categoria Maternal 2.

Mais detalhes sobre a criação do projeto, a mobilização da comunidade escolar, os apoios recebidos e o processo de construção do Jardim Sensorial podem ser conferidos no jornal impresso do dia 11 de dezembro de 2025.

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