Deixar a família e a rotina para trás para viver em outro país pode ser um desafio, principalmente para jovens que ainda estão construindo sua independência. Ao mesmo tempo, a experiência permite conhecer novas culturas, aprender idiomas, fazer amizades e desenvolver responsabilidades.
Em São Bento do Sul, programas de intercâmbio do Rotary e do Lions Clube oferecem essa oportunidade a estudantes. No Rotary, o programa é voltado a jovens de 14 a 18 anos e permite que eles passem períodos no exterior, convivendo com famílias anfitriãs e frequentando escolas.
No Rotary Club de São Bento do Sul – Cidade dos Móveis, o programa é acompanhado há mais de 30 anos por Helvino Wilsmann, oficial de intercâmbio. O processo de seleção começa com a indicação do jovem por um rotariano e inclui provas, avaliações psicológicas, treinamentos e análise da participação do candidato e da família nas atividades do clube.
No intercâmbio de longa duração, o estudante permanece cerca de um ano no exterior e passa por diferentes famílias anfitriãs. Ele também precisa frequentar uma escola e seguir as regras da família e do programa. A inscrição e a passagem são pagas pela família do jovem. No exterior, a família anfitriã fica responsável pela moradia, alimentação, roupas e cuidados durante a estadia.
Mais de 50 jovens já viajaram
Em 34 anos de atuação, mais de 50 jovens de São Bento do Sul fizeram intercâmbio por meio do Rotary Cidade dos Móveis. O clube também recebeu mais de 50 estudantes estrangeiros. Entre os países que já receberam são-bentenses estão Argentina, Canadá, Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Noruega, Dinamarca e Rússia.
Para Helvino, a experiência pode transformar a forma como os jovens enxergam a vida. “Depois que sai debaixo das asas da família, o jovem é outro. É um aprendizado que transforma”, resume.
Experiência na Colômbia
Flávia Bileski Wotroba embarcou para a Colômbia em fevereiro de 2024, aos 18 anos. Ela passou dez meses em Bogotá, mesmo sem nunca ter viajado para fora do Brasil e sem falar espanhol.
O país não estava entre suas primeiras escolhas. Ela pretendia ir para os Estados Unidos ou Itália e chegou a escolher o México, mas problemas com a documentação fizeram com que a vaga não fosse confirmada. A oportunidade surgiu então na Colômbia.
Durante o intercâmbio, Flávia passou por três famílias, frequentou a escola e precisou cursar novamente o terceiro ano do ensino médio. Também conheceu pessoas de diferentes países e reativou um clube Interact, assumindo a presidência da organização na Colômbia.
A experiência, segundo ela, trouxe mais independência. “A gente se sente mais livre, independente. Situações que aqui você não saberia como lidar, lá você precisa aprender”, conta.
Nove meses na Argentina
Em março de 2025, foi a vez de Lorena Daumann, então com 17 anos, embarcar para a Argentina. Ela passou nove meses no país, morou com quatro famílias e estudou em duas escolas.
Desde criança, Lorena acompanhava as atividades do Rotary e tinha o desejo de participar de um intercâmbio. Apesar de sonhar com destinos como Alemanha e Canadá, acabou indo para Charata, na província de Chaco.
Um dos primeiros desafios foi o idioma. Ela conhecia poucas palavras em espanhol e precisou aprender durante a convivência com as famílias e na escola. Também fez aulas de dança folclórica argentina e estudou em uma escola agrícola, onde aprendeu a cuidar de animais e a produzir alimentos como queijo e doce de leite.
A saudade da família esteve presente durante a viagem, especialmente após o nascimento do sobrinho. Mesmo assim, Lorena considera a experiência positiva e mantém contato com os amigos que fez na Argentina.
Para ela, o principal resultado do intercâmbio foi uma nova forma de enxergar o mundo, após conviver com diferentes realidades sociais e econômicas.
As próximas edições de A Gazeta terão novas histórias de jovens de São Bento do Sul que conheceram outros países por meio dos programas de intercâmbio do Rotary e do Lions Clube.



