Incêndios causados por fontes térmicas crescem 10%; veja os erros mais comuns

Em dias frios, são comuns ocorrências envolvendo problemas e acidentes pelo uso incorreto

• Atualizado 1 meses atrás.

Bombeiro Lucas Westrupp fala sobre o uso correto de lareiras e aquecedores (Foto: Larissa Hirt / A Gazeta)
Bombeiro Lucas Westrupp fala sobre o uso correto de lareiras e aquecedores (Foto: Larissa Hirt / A Gazeta)
Bombeiro Lucas Westrupp fala sobre o uso correto de lareiras e aquecedores (Foto: Larissa Hirt / A Gazeta)

No inverno, lareiras, fogão a lenha e aquecedores podem ser um aliado, principalmente na nossa região. Mas, se não forem utilizados com alguns cuidados, eles passam a ser um vilão. Dados da Divisão de Investigação de Incêndio apontam um aumento aproximado de 10% nas ocorrências relacionadas ao uso de fontes térmicas entre os anos de 2024 e 2025, passando de 81 para 87 registros.

A Gazeta procurou o Corpo de Bombeiros para algumas dicas de segurança e cuidados com as fontes de calor. Segundo o bombeiro Lucas Westrupp, o principal ponto é a instalação; o ideal é que a lareira ou o fogão estejam longe de materiais combustíveis, como madeira ou produtos de PVC.

Ele ainda destacou os cuidados com os anéis de isolamento, aquela peça colocada na parte do teto, para que a superfície não pegue fogo. “Na chaminé, é feito esses anéis de isolamento, para não ter contato com as superfícies quentes ali com esses materiais. Esses anéis são muito importantes na hora da instalação, justamente pra evitar um incêndio.”

Segundo o bombeiro, um erro comum na hora de acender o fogo é utilizar um produto químico ou inflamável. O correto é usar madeira seca e até álcool, em uma quantidade pequena. “Quando for colocar um fósforo, botar um fogo pra acender, vai dar uma explosão. O álcool, por exemplo, ele evapora rápido, então o ar já fica totalmente contaminado”, explicou.

Sobre a lenha utilizada, Lucas comentou que não é recomendado utilizar madeira tratada, pois, para o tratamento, pode ter sido utilizado produto químico e, na hora de queimar, a fumaça pode ser tóxica. “A fumaça pode vir um pouco também para o ambiente, não sai tudo na chaminé e aí acaba sendo tóxica para nós”, pontuou.

Distância segura
Ao instalar, tanto a lareira quanto o fogão a lenha, é necessário deixar uma distância segura entre objetos que possam ser combustíveis. Westrupp disse que o ideal é não deixar nada ao redor, nenhum tipo de tecido. Ele também comentou que, no inverno, é comum as pessoas esquentarem a toalha para tomar banho e ficar quentinha na hora de se secar.

“Isso também não é correto porque qualquer material incandescente que possa saltar de dentro da fogueira, lareira, pode acabar indo para aquele tecido e, em questão de minutos, ter um incêndio enorme e a pessoa nem se dá conta”, mencionou.

Ainda, com relação ao fogão a lenha, o bombeiro explicou que muitos têm a porta de abrir e fechar para colocar lenha. Mas, se não há essa porta, é um motivo maior para não colocar nada em volta, por questões de segurança, pois material incandescente pode sair de dentro e provocar um incêndio.

No inverno, quando as casas costumam permanecer mais fechadas, é preciso redobrar a atenção ao usar esses equipamentos. De acordo com a orientação de Lucas, eles consomem o oxigênio disponível durante a combustão e, em locais sem ventilação adequada, podem representar riscos à saúde. “Não é ideal a gente ir dormir num quarto fechado com uma lareira. Se o local estiver totalmente fechado, em algum momento esse oxigênio pode se extinguir”, alertou. Segundo ele, já houve relatos de pessoas que acordaram com falta de ar após dormir com a lareira acesa em um ambiente fechado.

Aquecedores
Embora os aquecedores portáteis sejam considerados equipamentos seguros, o uso inadequado pode representar riscos à segurança. Segundo o bombeiro, um dos principais cuidados é evitar a utilização desses aparelhos em ambientes úmidos, como banheiros. “Às vezes a pessoa fica muito tempo no banho, cria aquela umidade e, se o aquecedor já não é tão novo, pode acabar acontecendo um curto-circuito”, alertou. Além do risco de choques elétricos, a combinação entre umidade e falhas no equipamento também pode provocar incêndios.

Outro hábito que deve ser evitado é utilizar aquecedores para secar roupas. Conforme Lucas, cobrir o aparelho com peças de roupa pode causar superaquecimento, aumentando significativamente o risco de incêndio. “Às vezes a pessoa coloca a roupa por cima, o equipamento superaquece, pode botar fogo na roupa e uma coisa leva à outra”, explicou.

Nos aquecedores a óleo, por exemplo, um eventual tombamento pode fazer com que o equipamento aquecido entre em contato com materiais inflamáveis, como tapetes e sofás. No caso do ar-condicionado, o equipamento é considerado uma opção mais segura, desde que a instalação elétrica da residência esteja em boas condições. “Às vezes a instalação elétrica é muito antiga e não é feita uma manutenção a cada cinco ou dez anos. Pode ter algum fio desencapado e acabar criando um incêndio pela instalação elétrica, não pelo ar-condicionado”, destacou.

Segundo o Corpo de Bombeiros, grande parte das ocorrências poderia ser evitada com medidas simples de prevenção, atenção à instalação correta dos equipamentos e uso responsável no dia a dia. Caso o fogo se espalhe ou saia do controle, a recomendação é abandonar imediatamente o local, garantir a segurança dos moradores e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. O alerta reforça que, diante do risco, a prioridade deve ser sempre preservar vidas, enquanto a prevenção segue como a principal ferramenta para evitar acidentes durante o inverno.

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