Diante dos desafios de competitividade global enfrentados pelo setor moveleiro, acentuados pelas recentes barreiras comerciais, São Bento do Sul recebeu a primeira imersão da Academia FIESC de Negócios. A proposta é transformar o impacto econômico em oportunidade: criar novos produtos, abrir mercados e reposicionar o setor catarinense no cenário global.
Entre terça e quarta-feira, na sede do Sindicato das Indústrias Moveleiras (Sindusmobil), dez indústrias de São Bento do Sul, Campo Alegre e Rio Negrinho participaram do encontro, que apresentou informações estratégicas para um novo posicionamento de mercado, com foco em inovação e diversificação de portfólio. “É uma oportunidade ímpar de repensar os negócios, melhorar o posicionamento e buscar uma nova perspectiva sobre o desenvolvimento”, destacou o vice-presidente da FIESC para o Planalto Norte, Arnaldo Huebl.
O designer Célio Teodorico, da Studio 566 Design e curador da imersão, conduziu a jornada de conhecimento, abordando design e valor de marca. Técnicos do Observatório FIESC também apresentaram dados sobre o mercado mundial.
Para o diretor da Móveis Paulo, de São Bento do Sul, Djoni Kurowsky, o diferencial está no design. “Acreditamos que podemos exportar o design brasileiro, adequado ao país que se pretende atender. Com esse projeto, estamos abrindo horizontes para entrar em novos nichos de mercado.”
Segundo a ApexBrasil, empresas que investem em design aumentam em até 25% o valor percebido de seus produtos e ampliam em média 20% as exportações. “Essa imersão está sendo essencial para instrumentalizarmos de forma mais assertiva a criação de produtos com design agregado, buscando atender os mercados interno e externo”, disse Leila Tenfen Vantowsky, diretora da Móveis Caftor, de Rio Negrinho.
A diretora da Gromóveis, de Campo Alegre, Celiane Grossl Minikovski, também avaliou positivamente o encontro. “O projeto está contribuindo para adequarmos nossos produtos à exportação e também para aumentar nossa fatia no mercado brasileiro.”
O polo moveleiro de São Bento do Sul, que inclui Campo Alegre e Rio Negrinho, foi o primeiro a receber a imersão por ser o maior exportador nacional de móveis e ter sentido diretamente o impacto do tarifaço americano.
Segundo dados do Observatório FIESC, entre janeiro e setembro deste ano, as indústrias da região exportaram US$ 63,5 milhões, sendo os Estados Unidos responsáveis por 50,11% desse volume. A região possui 398 empresas do setor, que empregam mais de 8 mil trabalhadores.






