Com um sonoro “hohoho” e um sorriso acolhedor, Vilmar Carvalho de Lima recebe crianças e famílias na Casa do Papai Noel. A barba branca, hoje verdadeira, e a roupa cuidadosamente preparada ajudam a compor a imagem do Bom Velhinho que encanta gerações. Mas a trajetória de Vilmar como Papai Noel começou de forma simples, ainda em 1992, quando atendeu a um pedido da tia para assumir o papel que, até então, era dela nas celebrações familiares.
Naquele início, a fantasia era emprestada e a barba, artificial. Mesmo assim, a vontade de espalhar a alegria do Natal falou mais alto. O que começou dentro de casa logo se transformou em visitas a amigos, participação em eventos e encontros com crianças de diferentes bairros da cidade. “Desde lá eu estou fazendo visitas em casas, participando de eventos, e agora, faz dois anos que estou aqui na Casa do Amor à Cidade”, conta.
O tempo passou e, com ele, as histórias se multiplicaram. Se antes Vilmar era o Papai Noel dos amigos. “Os pais que eu pegava no colo, hoje eu pego os filhos. Às vezes, até os netos. Isso é algo que vou levar para sempre na memória”, afirma. Para ele, ouvir o que as crianças têm a dizer é uma experiência única. “Quando alguém entra aqui e fala ‘Papai Noel, eu te amo’, isso não tem preço”, fala sorrindo.
Vilmar garante que todas as cartas deixadas pelas crianças são lidas com atenção e carinho. Algumas, inclusive, o comovem profundamente. “Debaixo dessa roupa quente a gente chega a se arrepiar. É muito especial fazer isso, e espero poder continuar por muitos e muitos anos”, comenta. Há cinco anos, ele decidiu deixar a barba crescer de vez, reforçando ainda mais a semelhança com o personagem, e hoje ela é testada sem cerimônia pelas crianças curiosas. “Eles puxam, mas é com carinho”, brinca.
Entre presentes e emoções
Ser Papai Noel vai muito além de distribuir balas e presentes. Durante a entrevista, a Casa do Papai Noel recebeu diversos visitantes, e a árvore decorada virou cenário obrigatório para registros ao lado do anfitrião. Crianças, adultos e até idosos aproveitaram o momento para fazer pedidos e guardar lembranças.
Vilmar lembra que nem todas as reações são iguais: há crianças que choram de medo, outras que correm para abraçá-lo e algumas que o fazem se emocionar. Uma das histórias mais marcantes foi quando um pai levou a filha, curada de câncer, para conhecer o espaço. “Ele mostrou a cicatriz dela e começou a chorar. Eu também não aguentei”, recorda. Segundo ele, muitos pedidos escritos nas cartas são tocantes e ficam guardados para sempre na memória.
Ao final, Vilmar deixa uma mensagem aos são-bentenses: deseja um Natal iluminado e um ano abençoado, reforçando o significado da data. “O Natal não é só a fartura na mesa. É o nascimento de Jesus, esse é o principal objetivo”, diz, encerrando com o tradicional “hohoho”.



