Grande marca de vestuário vai contratar presos da Penitenciária de São Bento do Sul

Serão disponibilizadas, de início, 150 vagas de trabalho para os apenados

• Atualizado 1 meses atrás.

Empresa já atua em outras unidades prisionais, com a Penitenciária Regional de Curitibanos (Foto: Jaison Lopes / Divulgação)

A empresa Ogochi, marca do ramo de vestuários, já iniciou os trâmites para montagem da célula que irá funcionar dentro da oficina da Penitenciária Industrial de São Bento do Sul. A assinatura do termo de parceria laboral entre a empresa e a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) foi publicada no dia 14 de outubro, autorizando a Ogochi a iniciar sua operação na unidade são-bentense. Com mais de 30 anos de atuação, a empresa já atua em outras penitenciárias do estado, como Curitibanos e São Cristóvão do Sul.

Com a parceria homologada, os responsáveis pela empresa estiveram na unidade são-bentense para início dos trabalhos. “O engenheiro da Ogochi já veio e fez todo o projeto de como será a empresa aqui. A ideia deles é que comecem em dezembro a reforma, entregando até março toda a parte operacional prontinha, do jeito que pedimos por conta dos aspectos de segurança. O início das operações com os presos será, no máximo, em abril”, explica Léo da Silva Feliciano, diretor da Penitenciária de São Bento do Sul.

A empresa irá atuar na oficina construída dentro da penitenciária, que possui uma área edificada de 969 metros quadrados. Conforme o termo assinado junto ao estado, serão disponibilizadas, de início, 150 vagas de trabalho para os apenados. Na unidade de São Cristóvão do Sul, por exemplo, são duas áreas de 600m² e 300 internos trabalhando.

Além da área já edificada para abrigar a empresa, a penitenciária possui um espaço vago, apenas com grama, de mil metros quadrados, cujo edital de licitação está em fase final para contratação de uma nova empresa e pode empregar mais 150 presos. “Temos já previsto de 67 a 150 presos e a Ogochi já disse que os 150. Nessa outra área ela (a Ogochi) também está com proposta e quer mais 150 presos. Estamos falando em 300 presos empregados aqui. Se somar aos demais projetos e manutenções que temos aqui dentro, como a cozinha, cerca de 60% vão estar trabalhando e recebendo”, ressaltou Léo.

Organização do trabalho
Segundo o diretor, é preciso todo um planejamento em relação ao trabalho e é de suma importância que nem todos possam ter acesso ao benefício. “Se eu tiver 100% dos presos trabalhando, teremos dois problemas. Primeiro tem a questão de facção. Pode ser uma facção que chega e diz, por exemplo, que se não tiver visita todo domingo, o dia inteiro, ninguém trabalha. E temos contrato com essas empresas, não podemos ficar na mão do preso. Desse pessoal ocioso, tenho no mínimo 100 pessoas esperando um desses dar uma bobeira pra pegar a vaga. O preso tem que ter essa noção”, disse. “Também é preciso separar o que é convívio e o que é seguro. Não posso pôr eles no mesmo lugar de trabalho”, completou, citando os presos que ficam em ala separada por questões de segurança interna, como os homossexuais, por exemplo.

Quando a empresa entrar em operação, toda a peça será fabricada dentro da própria unidade. “Eles trabalham com tesoura, com máquina e tudo mais. Em Curitibanos, por exemplo, tem 15 a 20 empresas dentro da penitenciária. Tem metalúrgica, a Berlanda faz sofás e camas lá dentro, eles têm vassouras, tornearia. Chapecó tem um complexo com três unidades e uma parte de tecelagem que dá uns 20 metros de largura por uns 80 metros de comprimento, uma linha de produção enorme. Temos lá um ateliê de vestido de noiva onde o preso coloca lantejoula por lantejoula”, comentou o diretor.

A legislação prevê que para cada três dias trabalhados, um dia será reduzido da pena do interno. Além disso, ele receberá um salário mínimo (atualmente R$ 1.518), dos quais 25% serão utilizados pelo Estado na manutenção do preso enquanto ele estiver na unidade; 25% podem ir para um fundo judicial, mediante autorização do juiz, onde o indivíduo pode sacar após liberto; e o restante segue para sua família.

Conforme levantamento feito pela Sejuri em fevereiro deste ano, Santa Catarina possuía mais de 8,6 mil detentos em alguma atividade laboral. O número representa aproximadamente 34% da população privada de liberdade, acima da média nacional, que é de 19%. Os dados colocam o Estado como destaque nacional, avançando de uma média de 6,5 mil presos trabalhando em 2023 para uma média de quase 7,5 mil presos no final de 2024.

Mais detalhes sobre a Ogochi podem conferidos na edição impressa desta sexta-feira (24).

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