Golpe do falso advogado já fez mais de 100 vítimas em São Bento do Sul

Estelionatários utilizam inteligência artificial e senso de urgência para extorquir clientes

• Atualizado 6 meses atrás.

Paulo Mariano ocupou a tribuna para alertar à comunidade sobre os golpes do falso advogado (Foto: Anna Carolina Azêdo / Divulgação)
Paulo Mariano ocupou a tribuna para alertar à comunidade sobre os golpes do falso advogado (Foto: Anna Carolina Azêdo / Divulgação)
Paulo Mariano ocupou a tribuna para alertar à comunidade sobre os golpes do falso advogado (Foto: Anna Carolina Azêdo / Divulgação)

A sofisticação das fraudes digitais e o prejuízo financeiro causado a moradores de São Bento do Sul foram debatidos no Legislativo municipal. A convite da vereadora Terezinha Dybas (PSD), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional São Bento do Sul, utilizou a Tribuna Popular para detalhar a mecânica do golpe do falso advogado.

O representante da entidade, o advogado Paulo Thiago da Silva Mariano, explicou que a prática criminosa tem feito vítimas diariamente na região. “A tecnologia nos aproximou bastante, mas também nos trouxe os golpistas para perto da gente”, alertou ele que também é presidente da Comissão de Combate ao Estelionato Digital da OAB, detalhando que os criminosos clonam contatos, apropriam-se de fotos e chegam a utilizar inteligência artificial para simular a voz dos profissionais.

O impacto psicológico do crime foi um dos pontos altos da explanação. Mariano detalhou que a principal isca utilizada pelas quadrilhas é a promessa de dinheiro rápido, atrelada à exigência de depósitos antecipados. “O pior bandido, na nossa leitura, é o estelionatário, é aquele que realmente entra na mente da pessoa e convence. O delito costuma deixar muitas feridas nas pessoas, que por vezes perderam as economias de uma vida”, lamentou.

Ele explicou que os golpistas forjam documentos, simulam falsas salas de audiência online e criam um forte senso de urgência, dizendo ao cliente que ele precisa pagar as custas processuais imediatamente para não perder a causa. Questionado pelo vereador Rodrigo Vargas (PP) sobre o volume de pessoas lesadas localmente, o representante da OAB foi enfático. “Já passou de centena de golpes concretizados em São Bento do Sul”, revelou Mariano.

O foco principal dos criminosos, segundo ele, são pessoas idosas que aguardam benefícios previdenciários ou auxílio-doença. Diante desse cenário, a presidente interina da Câmara, Cátia Friedrich (PSD), sugeriu que a OAB leve essas orientações diretamente às associações de moradores, proposta que o advogado classificou como “excelente” e prometeu levar às comissões da entidade.

A dificuldade em identificar a fraude pelos métodos tradicionais também foi debatida. O vereador Diego Niespodzinski (MDB) indagou se a linguagem culta seria um sinal de que a mensagem é de um advogado real ou de um falsário. “Até os golpistas estão estudando português. Eles estão com o dicionário do lado e utilizando uma linguagem bastante convincente”, advertiu Mariano. Segundo ele, o verdadeiro alerta não é o vocabulário, mas a pressa imposta. “É o senso de urgência, aquela questão de ‘tem que ser agora, senão realmente não é possível'”, pontuou.

A vereadora Terezinha Dybas corroborou a tese, relatando que sua imagem já foi usada sete vezes por fraudadores, e relembrou o caso de uma cliente que quase transferiu suas economias por não acreditar que estava caindo em um golpe. A busca por prevenção mobilizou parlamentares como Luiz da Luz (PL), Zuleica Voltolini (PP) e Vilson da Silva (PL), que defenderam campanhas massivas de informação nos bairros e redes sociais.

O representante da OAB finalizou sua participação orientando a comunidade sobre a única forma 100% segura de evitar prejuízos. “Ao receber o contato de uma pessoa se passando pelo seu advogado, com uma linguagem diferente ou mesmo convincente, procure seu advogado. Vá até o escritório, confirme quem entrou em contato de fato para que você não seja vítima”, concluiu Mariano, lembrando que a Polícia Civil já possui investigações em curso no Estado.

R$ 40 mil
Diego citou o caso recente de um conhecido que perdeu R$ 3 mil ao ser contatado por estelionatários enquanto aguardava a liberação de sua aposentadoria. Mariano relatou uma situação ainda mais grave envolvendo uma vítima que esvaziou suas contas bancárias. Segundo o advogado, a pessoa perdeu cerca de R$ 40 mil acreditando que receberia os valores de uma ação judicial que, na realidade, já estava arquivada há mais de dois anos por falta de bens do devedor.

Diante do alto impacto financeiro e da sofisticação dos golpes, a classe jurídica tem sido forçada a criar novos mecanismos de defesa para proteger o cidadão. Terezinha revelou que muitos profissionais da área estão incluindo protocolos de segurança diretamente nos contratos de honorários. A principal estratégia envolve a combinação de uma “palavra-chave”, como a expressão aleatória “azul escuro”, para que o cliente tenha a certeza de que está conversando com o seu verdadeiro representante legal antes de prosseguir com qualquer tratativa.

Somada à tática das senhas informais, a tecnologia também tem sido usada a favor da segurança. Mariano recomendou que os escritórios de advocacia busquem obter o selo de perfil verificado no aplicativo WhatsApp. Essa medida serve como uma camada extra de proteção visual, ajudando a atestar a autenticidade do contato oficial e dificultando a ação dos falsários que tentam se passar pelos profissionais.

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