A busca pelas figurinhas da Copa do Mundo voltou a movimentar São Bento do Sul e tem reunido crianças, jovens, adultos e famílias inteiras em encontros de troca que vão muito além da coleção. Em bancas, bibliotecas e espaços de convivência, o tradicional álbum da Copa se transformou em um ponto de encontro entre diferentes gerações, unidas pela paixão pelo futebol e pelo desafio de completar as páginas.
Entre os colecionadores está Isaac Camilo Bayerl, de sete anos, que participou recentemente de sua primeira troca de figurinhas. Acompanhado da mãe, Camila de Morais Camilo Bayerl, ele chegou ao encontro com o álbum em mãos e algumas figurinhas repetidas para negociar. Segundo Camila, toda a família entrou na brincadeira para ajudar o menino a completar a coleção. “Tem o apoio da família, tem o irmão de três anos também, que influencia bastante”, contou.
Além da diversão, ela destaca que os encontros proporcionam interação entre as crianças. “Eu acho que é bem legal para interagir com outras crianças também”, afirmou. Enquanto a mãe conversava com a reportagem, Isaac organizava cuidadosamente as figurinhas repetidas e conferia os espaços que ainda faltavam preencher. Fã do argentino Lionel Messi, ele comemorou o fato de já ter conseguido a figurinha do camisa 10, uma das mais aguardadas por ele.
Mas quem pensa que a febre dos álbuns é exclusiva das crianças está enganado. Muitos adultos também entraram na onda para reviver momentos da infância. É o caso de Lucas Kollross de Oliveira, que já completou cerca de um terço da coleção.
Ele lembra que seu primeiro álbum foi o da Copa de 2010 e que decidiu voltar a colecionar neste ano por influência da namorada, que nunca havia participado da experiência. “Eu falei que era legal e a gente está fazendo junto, eu e ela tentando preencher um álbum”, relatou.
Para Lucas, os encontros de troca são uma forma descontraída de conhecer pessoas e conversar sobre futebol. “Faz lembrar bastante da minha infância, da minha adolescência. É até bom para a gente se conectar com os mais novos”, destacou. Seu jogador favorito é o uruguaio Giorgian de Arrascaeta, atualmente no Flamengo. Apesar de torcer pelo Brasil, ele também espera que seleções como Uruguai ou Portugal façam uma boa campanha.
Tradição que atravessa gerações
Segundo Fabio Osowsky, proprietário da Banca Gibi, as vendas do álbum começaram em 29 de maio e seguem dentro das expectativas. O movimento é impulsionado tanto pelo público infantil quanto pelos colecionadores adultos.
Para ele, muitos pais enxergam o álbum como uma oportunidade para afastar os filhos das telas e estimular atividades presenciais. Ao mesmo tempo, adultos aproveitam a chance de realizar um sonho que nem sempre foi possível durante a infância. “Tem aqueles adultos que, na época em que eram crianças, não podiam comprar tanto. Hoje eles têm dinheiro e compram com prazer uma quantidade maior”, comentou.
Há 18 anos à frente da banca, Fabio acompanha gerações de clientes e observa como a tradição continua se renovando. Segundo ele, alguns frequentadores começaram a comprar figurinhas ainda pequenos e hoje retornam já adolescentes ou adultos.



