Diversas reclamações envolvendo o atendimento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) têm sido registradas neste início de ano, tanto nas redes sociais quanto junto a vereadores do município. As queixas envolvem desde suposto favorecimento profissional até diagnósticos considerados equivocados por pacientes e familiares.
Uma das denúncias aponta que uma dentista contratada para atuar na UPA estaria supostamente beneficiando o próprio marido, também dentista, levando-o ao local para realizar avaliações de pacientes e distribuindo cartões de seu consultório particular. Outras reclamações, em grande número, dizem respeito a diagnósticos errados por parte de médicos.
Um dos casos envolve um médico que sequer teria examinado uma criança, alegando que a criança teria virose. A família adquiriu medicamentos, porém não houve melhora. Posteriormente, ao levar a criança a uma farmácia, o farmacêutico realizou uma avaliação, observou a garganta e identificou um quadro de amigdalite. Há relatos, inclusive, de profissionais da própria UPA criticando condutas de colegas, por conta de medicamentos errados ou desnecessários.
Outro exemplo é o de uma mulher atendida com dores nas costas. Após o atendimento, ela recebeu injeções e uma receita para compra de um medicamento controlado na fármacia, com custo aproximado de R$ 300. Após tomar dois ou três comprimidos de cloridrato de tramadol, que é um potente analgésico opioide sintético, a paciente relatou tontura, fraqueza e persistência das dores. Ela retornou à UPA e foi atendida por outro profissional, que criticou a medicação prescrita sem avaliação e indicou outros remédios, que também não surtiram efeito e as dores seguiam. Em nenhum dos atendimentos foram solicitados exames ou investigada a causa do problema. Posteriormente, a paciente buscou atendimento particular com um fisioterapeuta e resolveu a situação sem o uso de medicamentos.
Além disso, houve um episódio recente registrado na Polícia Civil como suposto caso de racismo, envolvendo uma médica da UPA e pacientes venezuelanos. Também são citadas reclamações sobre a falta de profissionais na escala, entre outros problemas. Diante desse cenário, há relatos de pacientes que passaram a evitar a UPA e a procurar diretamente o Hospital Sagrada Família, por confiarem mais no atendimento. A mudança pode resultar em sobrecarga no hospital, que dispõe de menos médicos no atendimento emergencial, enquanto a UPA acaba ficando com menor demanda.
Convocação
Devido aos problemas e às reclamações que têm inundado as redes sociais, ou chegam diretamente ao vereador Rodrigo Vargas (PP), ele já fala em convocar, logo nas primeiras sessões do ano da Câmara, em fevereiro, o secretário de Saúde, Marcelo Marques, para tratar em uma sessão aberta do Legislativo sobre estas questões.
Vargas também pretende chamar o diretor da UPA, Rafael Schroeder, para que preste esclarecimentos. No entanto, o vereador iria pedir estudo por parte da assessoria jurídica se o regimento da Câmara permite convocação de representante de empresa, mesmo que preste serviço à Prefeitura. Vale lembrar que a UPA é administrada pelo Instituto Maria Schmidt (IMAS), o qual foi contratado após processo licitatório. Mas, no caso de Marques e do servidor da Câmara responsável pela fiscalização do contrato, estes podem ser chamados.
Elogios
Apesar das críticas, também há manifestações positivas. Após publicação de uma reportagem nas redes sociais de A Gazeta, alguns leitores relataram experiências favoráveis e elogiaram o atendimento recebido na UPA. Entre os relatos, leitores destacaram a agilidade, a atenção das equipes e o atendimento humanizado.
Uma internauta afirmou que já precisou utilizar a UPA em mais de uma ocasião, inclusive com um neto, e relatou ter sido “super bem atendida”, elogiando desde a recepção até médicos e dentistas, além da rapidez no atendimento. Outro comentário destacou que, mesmo com grande movimento, o serviço foi eficiente. “Muito bem atendido, muito rápido, até mesmo o raio-x, com médicos jovens e prestativos”, relatou um usuário.
Há ainda comparações positivas com atendimentos da rede privada. Um dos comentários afirma que, mesmo possuindo plano de saúde, o atendimento recebido na UPA foi considerado melhor em termos de praticidade, rapidez e atenção, ressaltando o trabalho dos profissionais da unidade.
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