Expo Caesp abre portas da Apae e destaca talentos dos educandos em São Bento do Sul

Evento apresentou à comunidade trabalhos desenvolvidos pelos educandos ao longo do ano e atividades realizadas na instituição

• Atualizado 11 dias atrás.

Sala sensorial foi uma das atividades apresentadas durante a Expo Caesp (Foto: Zuciane Peres / A Gazeta)
Sala sensorial foi uma das atividades apresentadas durante a Expo Caesp (Foto: Zuciane Peres / A Gazeta)
Sala sensorial foi uma das atividades apresentadas durante a Expo Caesp (Foto: Zuciane Peres / A Gazeta)

Foi no artesanato que Michele da Silva encontrou uma forma de expressar seu talento. A são-bentense estava toda alegre ao mostrar as pinturas que realizou em vidros e também os tapetes que produziu. Mas não foi apenas ela. Todos os educandos da Apae do município tiveram um dia de artistas na sexta-feira (21), durante a Expo Caesp, que reuniu trabalhos produzidos por eles.

Ao seu lado, estava Antonio Carlos, que também ajudou na produção de peças artesanais, como os vidros decorados, panos de prato e tapeçarias. E, quando questionados sobre o que mais gostaram de fazer, cada um teve o seu preferido. Enquanto Antonio disse que foram os panos de prato, principalmente pela possibilidade de fazer os desenhos e as pinturas, Michele foi rápida ao afirmar que prefere os tapetes, por causa dos detalhes que pode produzir. “Porque sou mais ligeira nos tapetes”, diverte-se.

Os dois, porém, foram unânimes ao afirmar que gostam de fazer artesanato porque a atividade também ajuda no desenvolvimento da coordenação motora, da autonomia e até mesmo da confiança. E esse é o objetivo da Expo Caesp. Para quem vê, pode parecer apenas uma exposição dos trabalhos dos educandos, mas, por trás de cada projeto, existe um mundo de oportunidades, aprendizados e descobertas para eles.

Inclusive, a edição ocorreu durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, período dedicado à conscientização e à reflexão sobre os direitos e as oportunidades para as pessoas com deficiência. Neste ano, a campanha tem como tema “Deficiência não define, oportunidade que transforma, inclua a nossa voz”.

É dentro dessa proposta que a Apae abriu as portas para a comunidade e apresentou um pouco do trabalho desenvolvido ao longo do ano. De acordo com a diretora do Centro de Atendimento Educacional Especializado (Caesp) da Apae Girassol, Maria Goreti Ciupka Ehlke, os trabalhos expostos foram desenvolvidos pelos educandos desde o início do ano.

“Este é um momento em que a gente mostra para toda a comunidade e que queremos mostrar, através deste trabalho, a voz dos alunos. É dizer que nós existimos. Porque a deficiência precisa ser entendida como uma característica humana. A deficiência não define. O que define a pessoa com deficiência são as oportunidades que a sociedade disponibiliza para essas pessoas”, afirma.

Voz para todos
Durante a abertura do evento, estiveram presentes autoridades, como o prefeito Antonio Tomazini, o presidente da Apae, Marcio Hoeft, além de representantes da comunidade. Em seu discurso, Tomazini fez questão de agradecer aos colaboradores e voluntários que atuam no dia a dia da instituição. Ele também anunciou que a Prefeitura passará a assumir integralmente o transporte dos educandos da Apae, que será oferecido de forma gratuita às famílias.

Logo após, a Banda Velhos Amigos Caesp se apresentou, animando todos os presentes e dando início à Expo Caesp. Em algumas salas, foram apresentados os trabalhos desenvolvidos pelos educandos, além de espaços que permitiam ao público conhecer um pouco mais das atividades realizadas no dia a dia da instituição. Um deles foi a sala sensorial, utilizada pelas turmas do Serviço Pedagógico Específico, que atende crianças em idade escolar com diferentes características e necessidades de aprendizagem, incluindo deficiência intelectual, deficiência física e Transtorno do Espectro Autista (TEA).

No espaço, os estímulos são pensados de acordo com as necessidades de cada educando, utilizando recursos como luzes, diferentes texturas, cheiros e objetos que podem ser explorados pelo toque. De acordo com a professora Nicolli Nogueira, muitos dos educandos apresentam sensibilidade ao toque, baixa visão ou baixa audição, o que faz com que os estímulos sensoriais sejam importantes no processo de aprendizagem e desenvolvimento. “Não trabalhamos apenas a escrita do alfabeto. Então, a gente usa muito o toque das mãos, o toque esfregando nos pés, na cabeça. Tudo o que a gente usa é mais sensorial, para eles entenderem além de um alfabeto. Porque a gente sabe que o que eles precisam é de autonomia”, explica.

No caso dos educandos com TEA, a sala também auxilia na regulação. “Eles são mais sensíveis. A sala sensorial veio com o objetivo de regulação, porque muitos se regulam com os toques macios, com as luzes, em momentos que são direcionados”, conta Nicolli.

Durante a Expo, os visitantes puderam observar alguns dos recursos utilizados no ambiente, como uma iluminação mais controlada e um “bambolê dos cheiros”, formado por garrafas com diferentes aromas. Entre eles, havia até mesmo cheiro de amaciante, escolhido por ser familiar para algumas crianças. Já no pátio, entre os diversos trabalhos que chamavam a atenção dos visitantes, estava o projeto “Costurando Histórias”, proposto pelo setor de Serviço Social e desenvolvido pelo programa Clube de Mães. Este projeto recebe o apoio da Cooperativa Sicredi, parceira da Apae em outros projetos.

E não foi somente a Expo Caesp que movimentou a Apae na sexta-feira (21). Até o dia 28, em alusão à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, diversas atividades serão realizadas na instituição.

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