Um ex-padre que deixou de exercer o sacerdócio em 2010 é investigado por uma série de crimes contra uma idosa de 88 anos, em São Bento do Sul. Segundo entrevista de familiares à Tribuna da Massa, do Paraná, o homem teria se apresentado como padre mesmo após ser afastado pela Igreja Católica e passado a morar na casa dela sob a justificativa de que cuidaria dela. A vítima foi encontrada em situação de vulnerabilidade, suja, desnutrida e desdentada.
Segundo familiares, a residência estava suja, havia alimentos estragados nas geladeiras e o quarto da mulher estava infestado de pulgas. O colchão também apresentava manchas de sangue. A família passou a desconfiar da presença do homem na casa, e segundo a sobrinha da vítima, que preferiu não ser identificada, procuraram o bispo responsável pela região e receberam a informação de que o homem não era mais padre.
O caso ganhou novos contornos quando a idosa foi levada ao hospital. Durante o atendimento, profissionais de saúde teriam encontrado um terço inserido no ânus da vítima. Diante da situação, a polícia foi acionada e um inquérito criminal foi instaurado para investigar como o objeto foi parar no corpo da mulher.
Suspeitas envolvendo o patrimônio
A família também afirma que o homem teria passado a ter acesso às contas bancárias da idosa e sido incluído como segundo titular de uma delas. Segundo os relatos, foram identificadas compras de valores elevados, incluindo gastos em frigoríficos e estabelecimentos de bebidas.
Extratos bancários também teriam apontado compras em uma loja de armas e munições durante os últimos dois anos. Além das movimentações financeiras, a família afirma que dois imóveis da idosa foram transferidos para o nome do ex-padre. Um veículo também teria sido adquirido com recursos da vítima, mas registrado em nome do investigado.
A idosa foi retirada da residência pela família e levada para Curitiba, onde passou a receber cuidados. Atualmente, ela já está em casa, passa bem e realiza os acompanhamentos médicos necessários.
Medidas protetivas
A reportagem de A Gazeta entrou em contato com a advogada da vítima, Karla Scheffler, que informou que a Justiça também determinou medidas protetivas em favor da idosa, inicialmente relacionadas às suspeitas de maus-tratos. Entre as determinações está a proibição de aproximação da vítima. As medidas foram prorrogadas por mais dois anos.
Também há restrições relacionadas às redes sociais. O investigado estaria proibido de publicar fotografias e vídeos da vítima ou realizar pedidos de Pix em nome dela. Segundo a advogada, o caso agora tramita em duas frentes. Na esfera criminal, o inquérito já foi relatado e encaminhado ao Ministério Público. Na área cível, a família busca recuperar o patrimônio que teria sido transferido para o nome do ex-padre.
O processo tramita em sigilo e, por isso, a reportagem não conseguiu confirmar oficialmente a identidade do ex-padre investigado.
Informações da Tribuna da Massa, da Rede Massa.




