Uma ex-funcionária da Artefama publicou um vídeo nas redes sociais relatando sua indignação diante da situação vivida por ela e centenas de colegas após as demissões em massa realizadas pela empresa. Ela afirma ter perdido quase R$ 6 mil em direitos trabalhistas e diz não acreditar que conseguirá receber os valores devidos.
“Com o Belem faz mais de três anos e eu não recebi nada. Então eu não vou nem entrar no processo da Artefama, porque não vai adiantar em nada”, desabafou. Segundo ela, a informação repassada pelo sindicato é de que, em até 15 dias, deve haver contato com os demitidos para tentativa de acordo ou parcelamento. “Vão pagar? Não sei. Mas eu não vou ficar esperando por isso não. É ruim para quem está há anos lá, praticamente trabalhando de graça. É muito triste isso, porque muita gente precisa do dinheiro agora, início do mês. Aluguel, conta, filho… Como que vai ser?”, questionou.
Ainda no vídeo, a ex-funcionária criticou a postura da empresa. “Parabéns, Artefama, porque ferrou a vida de muita gente. Pelo menos pagar o salário do mês passado já seria uma bela ajuda, mas nem isso vocês não vão fazer”, declarou. Ela também disse se arrepender de não ter pego móveis durante uma feira promovida pela fábrica, ironizando que, ao menos assim, teria algo em troca do trabalho realizado.
Caso Artefama
A empresa de móveis de São Bento do Sul anunciou recentemente cortes expressivos em seu quadro de funcionários, alegando ajustes para enfrentar as dificuldades do mercado. Em carta aberta publicada anteriormente, a Artefama disse acreditar em “dias melhores” e reforçou que os cortes foram uma medida necessária para garantir a continuidade das atividades.
Grupo Belem
No desabafo, a ex-funcionária comparou a situação atual com o caso do Grupo Belem, que encerrou as atividades em São Bento do Sul e Rio Negrinho deixando dívidas trabalhistas. A Gazeta já havia publicado que, embora o escritório responsável pela recuperação judicial da rede afirmasse existir negociação para pagamento, ex-funcionários contestaram a informação, alegando que os acordos firmados não foram cumpridos.
“Pagaram o fundo de garantia, mas sem a multa. Fizeram dois acordos, pagaram duas parcelas e nada mais”, disse, à época, uma ex-funcionária. O Sindicom, sindicato da categoria, destacou que cerca de 30 ex-colaboradores receberam atendimento jurídico e que o processo de recuperação judicial, deferido para duas empresas do grupo, poderia resultar em uma longa espera por parte dos trabalhadores.
Para o presidente do Sindicom, Pedro Amâncio Machado, a recuperação judicial é um disposto legal para que as empresas tenham um fôlego e tentem reverter a situação econômica, visando a garantia dos empregos. “Infelizmente auxilia o empresário, mas geralmente prejudica em muito os trabalhadores”, frisa. O fechamento oficial das lojas do Grupo Belem ocorreu em dezembro de 2023 em São Bento do Sul e, em agosto do mesmo ano, em Rio Negrinho.
Veja o vídeo gravado pela ex-funcionária:




