A morte de Débora Ester de Biazi Dambros, de 24 anos, inicialmente tratada como um acidente de trânsito, passou a ser investigada como feminicídio. A Polícia Civil confirmou nesta sexta-feira (31) que a jovem foi assassinada pelo ex-companheiro, de 30 anos, com a participação do pai dele, de 53 anos. Os dois foram presos preventivamente e confessaram o crime.
O corpo de Débora foi encontrado na tarde de 21 de julho, às margens do Rio Barra Grande, em São Carlos, no Oeste de Santa Catarina. O carro da vítima estava submerso no rio, o que levou, inicialmente, à hipótese de um acidente.
No entanto, o laudo da Polícia Científica apontou que a causa da morte foi asfixia, com lesões incompatíveis com um sinistro de trânsito. Conforme o delegado Cláudio Vieira, responsável pela investigação, a jovem foi morta por estrangulamento, utilizando um golpe conhecido como “mata-leão”, dentro da residência onde morava, em Xaxim.
Segundo a Polícia Civil, o crime teria sido motivado pela não aceitação do fim do relacionamento e pelo novo namoro da vítima. O casal havia mantido um relacionamento por cerca de 12 anos e tinha dois filhos, de 2 e 8 anos, que estavam na casa no momento do assassinato.
Acidente foi forjado
As investigações apontaram que, após matar Débora, o ex-companheiro contou com a ajuda do pai para transportar o corpo até uma ponte sobre o Rio Barra Grande, entre São Carlos e Palmitos. O veículo foi lançado na água para simular um acidente de trânsito.
Antes da descoberta do corpo, o homem ainda procurou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência de desaparecimento, alegando que a ex-companheira poderia ter sofrido um acidente ou até cometido suicídio.
Os investigadores também descobriram que, após o crime, ele utilizou o celular da vítima para enviar mensagens ao atual companheiro dela, simulando que ainda estava viva e enfrentava problemas mecânicos durante o trajeto.
Carta revelou plano de matar os filhos
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a Polícia Civil encontrou uma carta escrita pelo autor do crime. No documento, ele pedia perdão aos familiares, relatava o relacionamento com a vítima e afirmava que pretendia matar os dois filhos do casal. Segundo os investigadores, o homem escreveu que não queria que as crianças convivessem com as consequências da tragédia e pediu compreensão aos pais por seus atos.
A existência da carta reforçou uma denúncia anônima recebida durante a investigação, indicando que o suspeito pretendia matar os filhos e, em seguida, tirar a própria vida. Para a Polícia Civil, a prisão evitou que novos crimes fossem cometidos.
O ex-companheiro deverá responder por feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. Já o pai dele é investigado por participação na ocultação do corpo e na simulação do acidente. O inquérito policial segue em andamento.
Com informações do portal G1 e NSC Total.



