Poderia ser uma partida qualquer de futebol: tem drible, habilidades estratégicas e punição para quem empurra o adversário. O campo assemelha-se ao formato de uma mesa de pingue-pongue, e os times, dependendo da divisão, são formados por até seis jogadores. Com uma diferença: todos são robôs autônomos.
Criada em 1997, a RoboCup, conhecida como a Copa do Mundo dos Robôs, é uma competição internacional de robótica e inteligência artificial. O Brasil sediou a edição de 2025, em Salvador (BA), e promove anualmente a própria versão do torneio, com a participação de estudantes universitários, pesquisadores e entusiastas da área.
Ingressar na competição é uma das metas do Laboratório de Informática Industrial (Labind) da Udesc de São Bento do Sul, coordenado pela professora Vivian Cremer Kalempa. O grupo finaliza neste momento o desenvolvimento do primeiro protótipo para a Small Size League (SSL), categoria da Robocup com robôs não-humanoides de até 18 centímetros de diâmetro e 15 centímetros de altura.
Estão à frente do projeto os irmãos gêmeos Davi Giraldi Michels e Daniel Girardi Michels, alunos do curso de Sistemas de Informação da Udesc e bolsistas de Iniciação Científica do Labind. Davi é responsável pela construção do robô, enquanto Daniel desenvolve as estratégias de treinamento utilizando inteligência artificial. O time recebeu o nome de TwinBots (robôs gêmeos) devido ao parentesco dos estudantes.
A construção do modelo requer habilidades para o uso de software específico para modelagem e impressão em 3D, a execução autônoma dos movimentos é feita por algoritmos de inteligência artificial. “Não são apenas robôs andando aleatoriamente de um lado para o outro”, esclarece Lucas Alexandre Zick, integrante do Labind e egresso da Udesc.
Cada equipe precisa construir o próprio robô. A montagem envolve desde a estrutura física (hardware) até a programação (software) dos mecanismos de movimento. O controle dos robôs é feito por sistema de inteligência artificial, responsável por executar ações baseadas nas estratégias previamente definidas pelo treinador. Câmeras de visão superior transmitem em tempo real informações como a posição de cada robô e da bola. A partir desses dados, o sistema realiza táticas de ataque, defesa e marcação, por exemplo.
Finalização do protótipo
A construção do primeiro robô está pronta e passa agora pelo refinamento dos sistemas de movimentação. Segundo Dieisson Martinelli, professor da Udesc Planalto Norte e integrante do Labind, o processo deve acelerar após a conclusão do protótipo. Para a montagem do primeiro robô, o laboratório contou com financiamento de uma empresa de equipamentos em robótica. O custo estimado chega a R$ 3 mil com o uso de peças mais baratas de produção nacional. Neste momento, a equipe busca mais recursos para prosseguir com o projeto.
A estreia do Twinbots na Robocup ainda deve demorar, esclarece a professora Vivian. De acordo com a entidade organizadora, as alterações devem entrar em vigor a partir de 2028. Até lá, a equipe continuará acompanhando a competição para entender melhor como se adaptar às novas regras.
Sobre o laboratório
O Labind pertence ao Centro de Educação do Planalto Norte (Ceplan) e está vinculado ao curso de graduação em Sistemas de Informação. Mantém parceria com pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
Treze integrantes fazem parte do Labind, entre alunos de graduação, mestrado, doutorado e professores da Udesc Planalto Norte. A coordenadora do laboratório, Vivian Cremer Kalempa, foi reconhecida nacionalmente por sua tese de doutorado sobre sistemas multirrobôs em fábricas inteligentes.
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