A forte chuva da noite de terça-feira (30) provocou o retorno de esgoto pelas tampas de inspeção instaladas nas calçadas da região central de São Bento do Sul. O problema ocorreu na rua Felipe Schmidt, espalhando dejetos e mau cheiro em frente a comércios, o que obrigou lojistas a interromper atividades na manhã seguinte até a limpeza ser concluída.
Um comerciante, que preferiu não se identificar, contou que a situação se repete há pelo menos dois anos. “A cada chuva estoura e sai de tudo, papel higiênico, fezes. Já precisei dispensar funcionários porque não tinha condições de manter a loja aberta. Como o cliente vai entrar pisando em esgoto?”, relatou.
O diretor-presidente do Samae, Osvalcir Peters, explicou que a origem do problema está em ligações irregulares de calhas de chuva na rede de esgoto sanitário. “A rede coletora não foi projetada para receber água de chuva. Quando há enxurrada, o volume aumenta e o sistema não suporta, resultando no retorno do esgoto. Isso inclusive é proibido por lei”, afirmou.
Segundo Peters, uma empresa foi contratada para fiscalizar imóveis casa a casa. Até agora, 10.744 vistorias já foram realizadas e cerca de 45% apresentaram ligação incorreta. Restam aproximadamente 4 mil vistorias, com previsão de conclusão até dezembro. Os imóveis notificados têm prazo de 90 a 180 dias para corrigir a situação, sob pena de multa cumulativa e encaminhamento à Vigilância Sanitária ou à esfera judicial.
As fiscalizações utilizam testes de corante e fumaça para identificar irregularidades. As medidas são respaldadas pelo Decreto Municipal nº 2.599 de 2004, que proíbe a ligação de águas pluviais à rede de esgoto e prevê sanções para quem descumprir as normas.





