Entre fios, tecidos e bordados, Rosemari de Siqueira Tschoeke, conhecida como Nah, se encontrou com a costura. Especialmente em setembro, é comum ver pessoas usando suas criações, pois desde 2021 ela produz trajes para a Schlachtfest. A paixão pela costura vem de família.
A história começa em 1966, quando o avô de Nah, Victor Rohde, comprou uma máquina de costura para sua avó materna, Wladislava Rhode. Quando ela parou de costurar, a avó paterna, Olga Plozai, vendeu uma vaca para adquirir outra máquina, mantendo viva a tradição familiar. “A minha avó paterna também era uma costureira maravilhosa. Daquelas que a pessoa chega com um modelo e ela fazia”, relembra Nah.
O primeiro contato de Rose com a máquina de costura, porém, não foi para trabalhar, mas para se emocionar. Em 1978, após a morte de seu pai, ela se recolheu ao gabinete da máquina para chorar baixinho, marcando o início de uma relação afetiva com a costura.
Apesar disso, Nah passou 35 anos como artesã antes de se dedicar à confecção de trajes. A virada aconteceu após uma conversa com a mãe, que despertou nela o desejo de trazer riqueza, detalhes e bordados para os trajes tradicionais, realizando sonhos de clientes e candidatas à realeza da Schlachtfest.
“Comecei cheia de projetos. Não tenho curso de corte e costura. Eu era uma artesã, então é um talento que o Senhor me deu”, conta. Para Nah, o trabalho vai além da costura: é construir sonhos. “Cada vestido não é só fazer, é viver a história de cada uma de forma diferente”, completa.
A preparação é um trabalho que dura o ano inteiro, intensificando-se entre agosto e início de setembro. Este ano, a produção de um traje levou cerca de três meses, com bordados feitos pontinho por pontinho. O trabalho inicia às 5 horas e muitas vezes só termina às 21 horas. Hoje, Nah conta com uma equipe de três pessoas em seu ateliê, mas mesmo assim, nas semanas finais, preocupa-se em não deixar ninguém sem traje.
A inspiração para os trajes vem da Alemanha, mas é adaptada à região, combinando tradição, elegância e autenticidade. A história familiar e a tradição continuam vivas: a máquina de 1966, símbolo da herança da costura, agora está com Nah. “Faz um ano e meio que consegui comprar essa máquina e está comigo”, celebra, mantendo vivo o legado da família.



