A proposta de implantação de uma cozinha industrial para centralizar a preparação da merenda das escolas municipais de Rio Negrinho gerou debate após uma visita do prefeito Caio Treml (PL) à Escola Municipal de Educação Básica Prefeito Frederico Lampe, no bairro São Pedro, na última semana. O assunto também foi levado à tribuna da Câmara de Vereadores pelo vereador Anderson Castro. Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito relatou que, durante a visita, observou que os alunos estavam comendo arroz, feijão e repolho, sem carne moída ou ovo e afirmou que os cardápios não estariam sendo seguidos nas escolas.
Treml argumentou que seria humanamente impossível acompanhar diariamente a alimentação em cerca de 30 escolas da rede municipal, por isso sugere a proposta de centralizar a preparação dos alimentos. Na proposta apresentada, parte das cozinheiras permaneceria nas unidades para o atendimento dos alunos, enquanto outras trabalhariam na cozinha central. “Nós vamos fazer a profissionalização da merenda das crianças”, declarou.
O prefeito também explicou que a intenção é, após preparar os alimentos em uma estrutura central, distribuí-los às escolas em recipientes térmicos. Ele citou a intenção de fazer a instalação de um fogão de grande porte, pias e dispensas para alimentos, além da aquisição de recipientes adequados para o transporte das refeições em um espaço dentro do Núcleo Municipal de Educação. Na publicação, o prefeito ainda destacou os investimentos feitos pelo município na merenda escolar e disse que, se a Prefeitura está comprando carne, o alimento precisa chegar às escolas.
Escola se manifesta
Em comunicado divulgado posteriormente, a gestora escolar Carolina Vellozo explicou que a escola havia encaminhado um ofício ao Departamento de Merenda Escolar solicitando o envio de carne para aquele dia, com uma semana de antecedência. Segundo ela, provavelmente por questões relacionadas à logística, o alimento não foi entregue. Carolina classificou o episódio como uma situação isolada e afirmou que o vídeo com a explicação completa dos fatos foi cortado. Segundo a gestora, posteriormente, partes das gravações, junto com o nome da escola, foram utilizadas para outra finalidade, dando margem a interpretações possivelmente equivocadas.
“Posso afirmar que, naquele dia, os alunos receberam sua alimentação preparada com muito carinho, dedicação e capricho, como é próprio do trabalho realizado por nossas cozinheiras”, afirmou Carolina. Ela também declarou que, diariamente, os alunos recebem alimentação em quantidade suficiente e preparada de acordo com as normas vigentes da alimentação escolar. A gestora reforçou ainda que o ocorrido não foi resultado de falta de profissionalismo ou dedicação das servidoras. “Nosso compromisso permanece sendo oferecer aos nossos alunos uma alimentação adequada, preparada com responsabilidade, cuidado e carinho”, afirmou.
Críticas
Na Câmara de Vereadores, Anderson abordou o assunto e afirmou que o prefeito tem o direito de promover mudanças na estrutura da alimentação escolar. “Qualquer tipo de mudança, ele é o chefe do Executivo e nós temos que respeitar isso, gostando ou não”, declarou. Apesar disso, o vereador criticou a forma como as cozinheiras foram apresentadas na manifestação do prefeito. Para Castro, se o Executivo pretende implantar uma cozinha industrial e centralizar a merenda, pode realizar a mudança, mas não deveria, segundo ele, utilizar a situação para desvalorizar as profissionais.
“Se o senhor tem um projeto, o senhor não precisa humilhar pessoas para justificar o seu projeto”, afirmou. O parlamentar destacou a informação apresentada pela diretora da Escola Frederico Lampe de que a carne havia sido solicitada com uma semana de antecedência e afirmou que outras escolas também poderiam enfrentar situações semelhantes quando o alimento não é entregue. Para Anderson, a situação acabou colocando em questão o trabalho das merendeiras. “Aquelas pessoas que estão lá, dia após dia, que estão lá dando o seu melhor. Elas não merecem isso”, declarou. O vereador encerrou sua manifestação defendendo respeito aos servidores que trabalham nas escolas.





