Entenda o que é o “presenteísmo” e as ações do Sesi no auxílio à saúde mental na indústria

Programa desenvolvido pelo Sesi leva o tema saúde mental para dentro das empresas
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• Atualizado 5 meses atrás.

Programa desenvolvido pelo Sesi leva o tema saúde mental para dentro das empresas (Foto: Larissa Hirt / A Gazeta)

Ainda durante a pandemia da Covid-19, o Sesi visualizou a importância de falar sobre saúde mental nas indústrias e desenvolveu uma série de produtos para levar o tema até os trabalhadores, dando início ao Projeto Acolher. Atualmente são atendidas diversas empresas de maneira fixa na região com este programa, com atividades semanais, além de ações pontuais com palestras e outras iniciativas em diferentes indústrias, levando a abordagem para cada vez mais colaboradores.

Sidineia Kressin, supervisora de saúde do Sesi, e Eron Waltrick, coordenador de saúde, detalham que tradicionalmente existe uma preocupação grande nas empresas com o absenteísmo, que é o funcionário se ausentar do trabalho. Porém, há também o presenteísmo, quando o trabalhador está ali, mas somente de corpo presente, com a cabeça longe. “E tentamos, com nossas ações em saúde mental, auxiliar esse trabalhador dentro das empresas”, cita Eron.

A supervisora de saúde lembra que, a nível Brasil, somos o país mais ansioso do mundo, o segundo mais estressado e o quinto mais depressivo. “Quando falamos de depressão, se fizermos um recorte da região Sul, somos 50% mais depressivos que o restante do país. São fatores complexos, como culturais, temperatura, não conseguimos precisar o motivo, mas fazemos o trabalho de base e cuidado do indivíduo”, ressalta.

Ela lembra que durante muito tempo a saúde mental foi um estigma, onde falar que frequentava o psicólogo era coisa de “louco”. Assim, um dos trabalhos realizados também é o de desmistificar e trazer esse acolhimento, para que o trabalhador se sinta com abertura para falar sobre os seus problemas.

Dentro das empresas, são realizadas sensibilizações com as lideranças, palestras, atividades em grupo, entre outras ações. “Falamos muito do cuidado que a empresa tem com o seu colaborador, criamos esse ambiente mais propício para falar do tema, buscando desmistificar. Além das ações coletivas, há o atendimento individual, de maneira mais pessoal”, lembra Eron.

Grande desafio
Os profissionais do Sesi citam o desafio que é trazer o problema de saúde mental para a comunidade. Eles fazem um paralelo com um problema físico, como um pé quebrado. Neste caso, é possível enxergar o problema, cuidar, e saber que após um período vai melhorar e retomar suas atividades. “Mas como vamos mensurar algo que não estamos vendo? Essa é a questão, muitos questionam se há mesmo um problema”, cita Sidineia.

Eles lembram ainda que a questão da saúde mental vai muito além da conversa com um psicólogo. É preciso estar em dia com sua saúde física e alimentação, onde cada hábito é importante e influência no resultado final. “Todas as pontas precisam estar alinhadas. Sabemos que é difícil manter tudo, mas é importante ter o equilíbrio, e nossas ações buscam abranger todas essas partes”, lembra Eron.

Ação importante
O vice-presidente da Fiesc para o Planalto Norte, Arnaldo Huebl, reforça que há uma preocupação crescente na atenção ao bem-estar físico e mental dos trabalhadores por parte das empresas, através de um ambiente de trabalho acolhedor e inclusivo. “Os programas voltados à saúde mental, de forma especial, são essenciais para oferecer suporte às pessoas que precisam de apoio profissional. Com condução especializada, oferecem acompanhamento eficiente, confiável e seguro”, destaca.

Para ele, com o avanço das práticas de gestão de pessoas, fica evidente que as necessidades individuais das equipes de trabalho precisam ser consideradas, ajudando a construir uma cultura empresarial voltada ao desenvolvimento saudável e sustentável.

Já Sidineia e Eron destacam que a iniciativa vem dando resultados, com feedbacks positivos dos colaboradores que vem passando pelo programa, e também das empresas, que seguem investindo na iniciativa.

“Percebemos a evolução do programa, e o quanto estamos conseguindo trazer algo que era um tabu. Falar sobre o tema ajuda a desmistificar, conseguimos cuidar dos indivíduos. Estamos falando de pessoas, e nosso propósito é melhorar a vida deles, para que possam estar bem, explorar sua potencialidade e viver bem. Esse é o objetivo, melhorar a vida das pessoas”, completa Sidineia.

Confira, a seguir, as demais matérias do caderno especial sobre saúde mental na indústria, produzido por A Gazeta:

– Saúde mental na indústria: burnout cresce 267% em SC e empresas adotam ações para cuidar da mente
– Saúde mental na indústria: afastamentos dobram no país e empresa de São Bento usa totens para cuidar da mente do funcionário
– Saúde mental na indústria: apoio psicológico ajuda funcionária a superar crise e diminui casos de ansiedade em empresa de Rio Negrinho
– Saúde mental na indústria: Oxford amplia atendimento psicológico e atende mais de 300 funcionários em um ano
– Saúde mental na indústria: Artefama investe em acolhimento e integração para melhorar o bem-estar dos colaboradores
– Saúde mental na indústria: estudantes da Univille levam diagnóstico e apoio psicológico para empresas da região
– Saúde mental na indústria: afastamentos em 2024 mostram a importância da ergonomia para o bem-estar
– Saúde mental na indústria confronta gerações e fica entre tabu e frescura

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